Técnicas de Escrita

Como usar repertório na redação de concurso sem parecer decorado

Aprenda como usar repertório na redação de concurso, inserir autores, leis, dados, fatos e referências sem parecer decorado e fortalecer seus argumentos.

Por Equipe Editaly18 min de leitura • 17 de agosto de 2026
Repertório para redação de concurso

Muita gente acredita que uma redação fica mais forte simplesmente porque possui uma citação, uma lei, um filósofo ou uma referência histórica.

Não necessariamente.

Você pode escrever:

Segundo determinado autor, a sociedade contemporânea enfrenta grandes desafios.

e ainda assim não ter construído argumento nenhum.

O problema é simples:

repertório não substitui raciocínio.

Uma referência só fortalece a redação quando ajuda a:

  • contextualizar;

  • explicar;

  • exemplificar;

  • sustentar;

  • comparar;

  • demonstrar alguma parte do argumento.

Por isso, o objetivo não deve ser:

“Como coloco uma citação aqui?”

A pergunta melhor é:

“Essa referência ajuda a provar ou explicar o que estou defendendo?”

Em uma redação de concurso, repertório pode vir de fatos históricos, legislação, livros, pesquisas, acontecimentos, conceitos, conhecimentos técnicos, obras culturais e até de conteúdos que você já estuda para o próprio concurso.

O mais importante não é parecer erudito.

É fazer a referência cumprir uma função.

Repertório é qualquer conhecimento externo que ajude a contextualizar, explicar, exemplificar ou sustentar uma ideia da redação. Ele só fortalece o texto quando possui relação clara com o tema e função dentro do argumento.

Se você ainda está trabalhando a construção dos argumentos em si, vale começar por nosso guia sobre como melhorar a argumentação na redação de concurso.

Uma referência também pode parecer muito pertinente para quem escreveu e, ainda assim, deixar uma ligação pouco clara no texto. Durante o treino, uma segunda análise pode ajudar a perceber se o repertório realmente sustenta a tese ou apenas aparece como decoração. No Editaly, você pode observar argumentação, coerência, estrutura e outros critérios dentro da redação completa.

O que é repertório na redação?

Repertório é o conjunto de conhecimentos que você consegue mobilizar para construir ou fortalecer o raciocínio.

Ele pode aparecer de muitas formas.

Repertório histórico

Exemplo:

transformações provocadas pela industrialização;

mudanças na organização do trabalho;

processos de urbanização;

acontecimentos políticos.

Repertório jurídico

Exemplo:

  • princípios constitucionais;

  • direitos;

  • normas;

  • leis que você realmente conhece;

  • conceitos jurídicos pertinentes.

Pesquisas e dados

Exemplo:

resultados de estudos;

indicadores;

informações estatísticas confiáveis.

Literatura

Livros podem ajudar a ilustrar:

  • conflitos sociais;

  • desigualdade;

  • relações de poder;

  • comportamento;

  • transformações históricas.

Filmes e séries

Também podem funcionar quando existe relação clara entre a obra e o argumento.

Atualidades

Acontecimentos relevantes podem fornecer:

  • exemplos;

  • contextos;

  • comparações;

  • consequências concretas.

Conhecimento técnico

Esse ponto é especialmente importante para concursos.

Quem estuda determinada área pode possuir repertório sobre:

  • administração pública;

  • segurança;

  • saúde;

  • tecnologia;

  • políticas públicas;

  • direito;

  • economia;

  • educação;

  • gestão.

Esse conhecimento pode ser muito mais natural e útil do que decorar frases famosas.

Repertório pode vir de muitos lugares.

Repertório não é sinônimo de citação

Esse é um dos erros mais comuns.

Quando alguém fala em repertório, muitos candidatos pensam imediatamente em:

filósofo.

Mas repertório pode ser:

uma informação histórica;

uma lei;

um dado;

um conceito;

um fenômeno social;

um conhecimento técnico;

uma comparação;

um acontecimento relevante.

Você não precisa escrever:

“Segundo Sócrates...”

para demonstrar conhecimento.

Exemplo

Tema:

inclusão digital nos serviços públicos.

Você pode argumentar que:

a digitalização amplia a eficiência, mas pode aprofundar barreiras quando parte da população não possui acesso adequado ou familiaridade tecnológica.

Isso já é raciocínio.

Depois, se possuir uma referência realmente útil, pode acrescentá-la.

A ordem deve ser:

argumento primeiro; repertório como suporte.

Não:

referência primeiro; depois tentar descobrir o que fazer com ela.

Repertório não substitui argumento.

Precisa usar repertório em toda redação de concurso?

Não existe uma regra universal.

Esse ponto precisa ficar muito claro.

Em algumas provas, determinadas formas de conhecimento externo podem contribuir bastante para a argumentação.

Em outras, o mais importante pode ser:

  • responder exatamente ao comando;

  • desenvolver os tópicos exigidos;

  • demonstrar domínio técnico;

  • manter clareza e estrutura.

Por isso, não adote regras como:

“Toda redação precisa ter duas citações.”

ou:

“Sem filósofo a redação fica fraca.”

Isso não é universal.

O que vale é:

edital + comando + gênero + critérios da prova.

Se você ainda tem dificuldade para identificar exatamente o que a banca está pedindo, veja nosso artigo sobre como interpretar o comando da redação de concurso.

O que é um repertório produtivo?

Um repertório produtivo é aquele que possui função no argumento.

Uma maneira simples de pensar é:

REFERÊNCIA → EXPLICAÇÃO → RELAÇÃO → TESE

Ou:

O que citei?

O que isso demonstra?

Como isso fortalece meu argumento?

Por que isso importa para a tese?

Exemplo

Imagine um tema sobre desigualdade no acesso a serviços digitais.

Uma referência jurídica pode ser útil.

Mas apenas escrever:

A Constituição estabelece a igualdade.

não resolve.

Agora:

Ao estabelecer a igualdade como princípio jurídico, a Constituição oferece uma referência relevante para discutir situações em que barreiras tecnológicas podem produzir acesso desigual a serviços públicos. Nesse contexto, a mera disponibilização digital de um procedimento não garante que todos possuam condições equivalentes de utilizá-lo.

Perceba o movimento.

A referência não ficou isolada.

Ela foi interpretada.


Repertório decorativo x repertório funcional

Veja dois exemplos.

Repertório decorativo

Segundo determinado filósofo, a sociedade contemporânea enfrenta grandes desafios. A digitalização dos serviços públicos é um tema importante.

Qual é a relação entre a referência e o argumento?

Não está clara.

A citação aparece.

Depois some.

Repertório funcional

Determinados direitos somente se concretizam quando existem condições materiais para seu exercício. Essa lógica ajuda a compreender a inclusão digital: disponibilizar um serviço público on-line não garante acesso efetivo quando parte da população não possui conexão adequada ou capacidade de utilização das plataformas.

Aqui a referência conceitual trabalha para o argumento.

Faça esta pergunta

Se eu apagar a referência, meu argumento perde alguma coisa?

Se não perde nada, talvez ela seja decorativa.

Citar não é o mesmo que usar repertório.

Como encaixar repertório no desenvolvimento

O desenvolvimento costuma ser um espaço muito útil porque você possui mais linhas para explicar a ligação entre a referência e o argumento.

Uma estrutura prática:

1. Apresente a ideia central

A desigualdade de infraestrutura limita o acesso aos serviços públicos digitais.

2. Explique

Isso ocorre porque parte dos procedimentos depende de conexão estável e equipamentos adequados.

3. Insira o repertório

Pode ser:

  • dado;

  • lei;

  • fato;

  • conceito;

  • acontecimento;

  • conhecimento técnico.

4. Analise a referência

Pergunte:

O que ela mostra?

5. Volte ao argumento

Explique por que aquela informação sustenta sua tese.

Exemplo completo

A desigualdade de infraestrutura representa uma barreira relevante à inclusão digital, pois a utilização de serviços on-line depende de acesso estável à internet e de equipamentos adequados. Dados confiáveis sobre desigualdade de conectividade, quando disponíveis e corretamente utilizados, podem evidenciar que o acesso tecnológico não ocorre de maneira uniforme. Essa diferença mostra que a digitalização de procedimentos, embora possa ampliar a eficiência administrativa, precisa considerar as condições materiais dos grupos que dependem desses serviços.

Observe:

ideia central

explicação

repertório

análise

retorno ao argumento.

A referência não encerrou o parágrafo.

Ela ajudou o raciocínio a avançar.

Como fazer o repertório trabalhar para o argumento.

Seu repertório fortalece o argumento — ou só deixa o texto mais enfeitado?

Repertório na introdução funciona?

Pode funcionar.

Mas existe um risco grande:

começar pela referência antes de saber a direção do texto.

Exemplo clássico:

Desde a Grécia Antiga...

O candidato escreve isso primeiro.

Depois tenta descobrir alguma relação com o tema.

Outro:

Segundo Aristóteles...

E só depois começa a procurar o argumento.

Esse processo é perigoso porque faz você adaptar o tema à citação.

Faça o contrário

  1. interprete o comando;

  2. defina a tese;

  3. descubra a função da introdução;

  4. veja se uma referência realmente ajuda;

  5. só então use.

Exemplo

Tema:

transparência pública.

Tese:

disponibilizar informação não é suficiente quando existem barreiras de acesso e compreensão.

Agora você pode pensar:

existe alguma referência jurídica, histórica ou técnica que ajude a contextualizar essa discussão?

Se existir e você a dominar, utilize.

Se não existir, não tem problema.

Uma introdução clara sem repertório decorativo é melhor do que uma introdução artificial com três nomes famosos.

Se quiser revisar essa estrutura, consulte Como fazer uma introdução de redação para concurso.

O desenvolvimento é o melhor lugar para repertório?

Muitas vezes, ele oferece mais espaço para análise.

Isso não significa que seja obrigatório.

A vantagem é simples.

No desenvolvimento você normalmente consegue fazer:

argumento;

explicação;

repertório;

análise;

conexão com a tese.

Na introdução, o espaço costuma ser menor e a função principal é apresentar a direção.

Por isso, quando você ainda tem dificuldade para integrar repertório, começar pelo desenvolvimento pode ser mais fácil.


Posso usar a Constituição na redação?

Sim, quando houver pertinência e você souber exatamente o que está utilizando.

O problema não é citar a Constituição.

O problema é transformar a Constituição em uma frase coringa.

Exemplo ruim:

Segundo a Constituição Federal, todos possuem todos os direitos.

Essa formulação é vaga e arriscada.

Melhor abordagem

Use apenas o que realmente conhece.

E pergunte:

Esse princípio ou direito ajuda a explicar o problema?

Exemplo

Em um tema sobre desigualdade de acesso a serviços públicos, pode fazer sentido discutir igualdade ou acesso a direitos.

Mas você ainda precisa mostrar:

qual a relação com o problema concreto?

Nunca deixe a referência sozinha.


Preciso citar o artigo exato de uma lei?

Não necessariamente.

Se você não tem certeza do número do artigo, não invente.

Compare:

Arriscado

O artigo 187 da Constituição determina...

sem ter certeza.

Mais seguro

A Constituição Federal estabelece...

quando você realmente domina o princípio geral que está utilizando.

A precisão é importante.

Se não tem segurança sobre a informação, procure outra forma de argumentar.


Posso usar leis na redação?

Sim.

Mas elas precisam ter pertinência.

Uma lei pode ajudar a:

  • estabelecer uma obrigação;

  • mostrar um direito;

  • contextualizar uma política;

  • evidenciar uma distância entre norma e prática;

  • apoiar uma análise institucional.

Exemplo de estrutura

A legislação estabelece X.

Na prática existe Y.

Essa distância ajuda a demonstrar Z.

Aqui existe argumento.

Só citar:

“Existe a Lei X.”

não é suficiente.


Posso usar dados e estatísticas?

Pode.

Dados podem fortalecer bastante uma argumentação quando são confiáveis e relevantes.

Mas existe uma regra fundamental:

Não invente números.

Se você não tem certeza de que:

83,7%;

72 milhões;

45,2%;

é realmente correto, não coloque só porque o dado deixa o texto “mais sério”.

Dado falso não vira argumento forte

Também tome cuidado com:

“Segundo pesquisas, a maioria das pessoas...”

Que pesquisa?

Você sabe mesmo?

Se não sabe, construa o argumento sem inventar autoridade.

Dado também precisa de análise

Veja:

Determinado percentual da população enfrenta dificuldade X.

E acabou.

Isso ainda é pouco.

Continue:

O que esse dado demonstra?

Talvez:

evidencia que o problema atinge parcela relevante da população;

ou:

mostra que a dificuldade não é apenas pontual.

O dado precisa trabalhar dentro do raciocínio.


Posso usar filme ou série como repertório?

Sim.

Mas não é obrigatório.

E não basta mencionar o título.

Exemplo ruim

Na série Black Mirror, a tecnologia é abordada. Portanto, a tecnologia possui problemas.

Muito superficial.

O que fazer

Escolha um aspecto específico da obra.

Pergunte:

Qual conflito ela apresenta?

Que comportamento mostra?

Que crítica constrói?

Como isso conversa com meu argumento?

Outro cuidado

Não transforme o desenvolvimento em resumo de filme.

Você não está escrevendo uma resenha.

O objetivo é utilizar um aspecto da obra para ajudar o argumento.


Posso usar livro ou literatura?

Também pode.

O mesmo princípio vale.

Não basta:

Segundo George Orwell...

Você precisa saber:

  • que obra;

  • qual ideia;

  • qual relação com seu tema.

Exemplo de uso funcional

Se uma obra aborda:

vigilância;

autoritarismo;

desigualdade;

exclusão;

relações de poder;

isso pode ser mobilizado quando a discussão realmente exigir.

Mas a obra precisa servir ao texto.

Não o contrário.


Como usar fatos históricos

Fatos históricos podem ajudar a:

  • mostrar origem de um processo;

  • comparar períodos;

  • demonstrar transformação;

  • evidenciar continuidade;

  • explicar consequência.

Uso decorativo

Desde a Revolução Industrial, a sociedade passa por mudanças.

E depois a Revolução Industrial nunca mais tem função.

Uso funcional

Se o tema trata de transformações no trabalho, você pode utilizar a industrialização para demonstrar historicamente como novas tecnologias modificam formas de produção e organização profissional.

Agora existe relação.

Evite introduções automáticas

“Desde os primórdios da humanidade...”

“Desde a Antiguidade...”

“Desde a Revolução Industrial...”

não são boas apenas por serem históricas.


Como usar atualidades na redação

Atualidades podem fornecer exemplos muito fortes.

Mas exigem alguns cuidados.

1. Certifique-se de que conhece o fato

Não invente detalhes.

2. Não transforme a redação em notícia

O acontecimento deve servir ao argumento.

3. Evite depender de algo que você lembra vagamente

Se não tem certeza de:

  • datas;

  • números;

  • nomes;

  • circunstâncias;

simplifique.

Estrutura

acontecimento;

aspecto relevante;

o que demonstra;

relação com a tese.


Como usar o texto de apoio sem copiar

Essa questão é especialmente importante em provas de concurso.

Quando a proposta apresenta textos de apoio, eles podem fornecer:

  • contexto;

  • conceitos;

  • dados;

  • perspectivas;

  • informações;

  • pistas sobre o recorte.

Mas não devem ser tratados como um texto pronto para ser reproduzido.

Processo melhor

LER → INTERPRETAR → SELECIONAR → RELACIONAR → ARGUMENTAR

Imagine que o texto de apoio diga:

a digitalização ampliou o número de serviços públicos disponíveis on-line.

Você não precisa apenas reescrever:

Os serviços públicos estão cada vez mais digitais.

Pergunte:

O que essa informação permite discutir?

Talvez:

eficiência;

acessibilidade;

desigualdade;

transformação administrativa.

Agora você usa o apoio como ponto de partida.

Evite copiar frases

Além do problema autoral, copiar trechos pode impedir que você realmente demonstre capacidade de interpretação e argumentação.


Posso usar repertório dos conteúdos que estudo para o próprio concurso?

Sim.

E muitas vezes esse pode ser o melhor repertório para você.

Imagine um candidato da área administrativa.

Ele já estuda:

  • eficiência;

  • transparência;

  • governança;

  • administração pública;

  • políticas públicas.

Outro candidato estuda segurança:

  • prevenção;

  • criminalidade;

  • direitos;

  • políticas de segurança.

Outro estuda tecnologia:

  • segurança da informação;

  • transformação digital;

  • proteção de dados.

Você não precisa abandonar todo esse conhecimento para decorar:

vinte filósofos;

dez séries;

quinze filmes.

Repertório natural é mais fácil de usar

Quanto maior seu domínio, maior a chance de:

  • lembrar corretamente;

  • explicar;

  • relacionar;

  • evitar erros factuais.

Esse é um ponto muito importante para concurseiros.


Repertório coringa existe?

Uma mesma referência pode funcionar em diferentes temas.

Mas isso não significa que exista um repertório universal que você deva encaixar em tudo.

O risco do coringa

Você decora:

negligência estatal;

falta de conscientização;

determinado filósofo;

e começa a usar em:

  • educação;

  • saúde;

  • segurança;

  • tecnologia;

  • meio ambiente.

Às vezes a relação existe.

Em outras, fica forçada.

Estruturas reutilizáveis são diferentes

Você pode aprender estruturas como:

norma x realidade;

causa x consequência;

avanço x desigualdade;

benefício x limitação.

Essas são estruturas de raciocínio.

Depois você precisa preencher com conteúdo específico do tema.


Em vez de 10 repertórios coringa, monte 10 categorias

Uma estratégia melhor é criar um banco pessoal.

1. Direitos e cidadania

Referências que você realmente conhece sobre:

  • igualdade;

  • acesso;

  • direitos;

  • participação.

2. Educação

  • aprendizagem;

  • permanência;

  • desigualdade;

  • formação.

3. Tecnologia

  • inclusão digital;

  • inteligência artificial;

  • automação;

  • privacidade.

4. Administração pública

  • eficiência;

  • transparência;

  • prestação de serviços;

  • gestão.

5. Desigualdade

  • econômica;

  • regional;

  • tecnológica;

  • educacional.

6. Meio ambiente

  • sustentabilidade;

  • resíduos;

  • urbanização;

  • preservação.

7. Segurança

  • prevenção;

  • repressão;

  • políticas públicas;

  • direitos.

8. Informação

  • desinformação;

  • acesso;

  • transparência;

  • comunicação.

9. Trabalho

  • tecnologia;

  • qualificação;

  • produtividade;

  • transformação profissional.

10. Saúde e questões sociais

  • prevenção;

  • acesso;

  • políticas públicas;

  • desigualdade.

Agora, dentro de cada categoria, guarde apenas referências que realmente conhece.


Como criar um banco pessoal de repertório

Não faça uma lista assim:

Constituição.

Bauman.

Orwell.

Revolução Industrial.

Isso é pouco útil.

Crie uma tabela:

Repertório

Tema relacionado

O que demonstra

Onde pode ser útil

Constituição

direitos/cidadania

existência de princípios e direitos

debates sobre acesso, igualdade e políticas públicas

Obra literária

desigualdade

conflito ou crítica social específica

temas ligados ao mesmo problema

Fato histórico

tecnologia/trabalho

transformação de relações produtivas

discussões sobre mudanças tecnológicas

Conhecimento técnico

administração

mecanismo ou princípio específico

temas ligados ao serviço público

A pergunta mais importante da tabela é:

O que isso demonstra?

Porque é justamente essa resposta que você precisará escrever na redação.


Como estudar repertório sem perder horas

Você é concurseiro.

Seu tempo é limitado.

Não precisa transformar repertório em uma nova matéria gigantesca.

1. Aproveite o que já estuda

Seu próprio conteúdo pode gerar referências.

2. Crie fichas pequenas

Cada repertório precisa de:

referência;

significado;

temas possíveis;

função argumentativa.

3. Não colecione infinitamente

É melhor dominar 20 referências do que ter 200 que você mal lembra.

4. Treine aplicação

Escolha um tema e tente utilizar a referência.

Se não consegue explicar a relação, ainda não domina o uso.

5. Revise por categoria

Tecnologia.

Educação.

Administração.

Segurança.

Isso facilita a recuperação na hora da prova.


8 erros ao usar repertório

1. Inventar uma citação

Você lembra vagamente de uma frase e coloca entre aspas como se soubesse exatamente.

Evite.

2. Inventar um dado

Nunca crie percentual para parecer convincente.

3. Errar autor, obra ou informação

Se não tem certeza, simplifique ou não use.

4. Citar e não explicar

“Segundo X...”

e o texto segue para outra ideia.

A referência ficou abandonada.

5. Usar repertório que não sustenta a tese

A citação parece interessante, mas prova outra coisa.

6. Forçar repertório coringa

A mesma referência entra em qualquer tema.

7. Resumir obra em vez de argumentar

Metade do parágrafo vira descrição de filme.

8. Usar repertório para fugir do recorte

A referência leva você para um assunto relacionado, mas diferente daquele que a proposta exigiu.

Problemas desse tipo também podem afetar a coerência global da redação. Nosso artigo sobre coesão e coerência na redação de concurso aprofunda essa relação.

E se eu não lembrar nenhum repertório?

Não invente.

Isso precisa ser reforçado.

Você ainda pode construir um argumento utilizando:

  • causas;

  • consequências;

  • mecanismos;

  • comparações;

  • exemplos plausíveis;

  • relações lógicas;

  • conhecimento básico do problema.

Exemplo

Tema:

exclusão digital.

Você não lembra:

  • dado;

  • autor;

  • filme;

  • lei.

Mas consegue raciocinar:

serviços digitais dependem de conectividade;

nem todos possuem as mesmas condições;

portanto, a digitalização pode produzir barreiras.

Você já possui um argumento.

Repertório poderia fortalecer.

Mas ele não é a origem obrigatória do raciocínio.

Melhor argumento simples que repertório falso

Sempre.


Como saber se o repertório realmente ajudou?

Faça quatro testes.

Teste 1 — apagar a referência

Pergunte:

Se eu apagar isso, meu argumento perde algo?

Se não:

talvez seja decorativo.

Teste 2 — explicar

Pergunte:

Consigo explicar em uma frase o que essa referência demonstra?

Se não consegue:

talvez não a domine.

Teste 3 — tese

Pergunte:

Isso realmente ajuda a sustentar aquilo que estou defendendo?

Teste 4 — recorte

Pergunte:

Essa referência me mantém dentro do tema ou está me levando para outro assunto?

Esses testes são simples.

E muito eficazes.

Uma segunda leitura também pode revelar referências cuja ligação parecia óbvia para você, mas não ficou escrita de forma clara. No Editaly, você pode observar se repertório, argumentação, tese e coerência estão realmente trabalhando juntos.

Checklist do repertório

Antes de usar uma referência, confirme:

Pertinência

  • Tem relação direta com o tema?

  • Está dentro do recorte?

Domínio

  • Eu realmente conheço essa informação?

  • Tenho certeza sobre autor, obra, lei ou dado?

  • Evitei inventar?

Argumentação

  • Ela sustenta meu argumento?

  • Expliquei o que demonstra?

  • Conectei a referência à tese?

Função

  • Ela acrescenta alguma coisa?

  • Ou está ali apenas para parecer sofisticada?

Clareza

  • O leitor entende por que usei essa referência?

  • Evitei resumir uma obra inteira?

Segurança

  • Se não tenho certeza, consigo argumentar sem essa referência?

Se você só consegue citar, mas não consegue explicar por que aquilo importa, talvez esse repertório não seja útil.

Antes de usar um repertório, faça este teste.

Faça primeiro essa revisão por conta própria.

Depois, se quiser comparar sua percepção com uma segunda análise, você pode enviar sua redação ao Editaly, escolher a banca ou adicionar o edital e verificar como tese, repertório, argumentação, coerência, estrutura e outros critérios aparecem no texto completo.

Não basta citar. É preciso fazer a referência trabalhar para a tese.

Perguntas frequentes sobre repertório na redação de concurso

O que é repertório na redação?

É um conhecimento externo utilizado para contextualizar, explicar, exemplificar ou sustentar uma ideia.

Pode vir de:

  • história;

  • legislação;

  • pesquisas;

  • dados;

  • livros;

  • filmes;

  • atualidades;

  • conhecimentos técnicos.

Toda redação de concurso precisa de repertório?

Não existe uma regra universal.

A necessidade e o valor desse recurso dependem do gênero, do comando e dos critérios específicos da prova.

Preciso citar filósofo?

Não.

Uma redação pode ser bem argumentada sem mencionar filósofos.

O importante é construir raciocínio consistente.

Posso usar filme como repertório?

Sim, desde que exista relação clara entre a obra e o argumento.

Não basta apenas citar o nome.

Posso usar série?

Também pode.

Escolha um elemento específico que ajude a demonstrar uma ideia.

Posso usar livro?

Sim.

Literatura pode fornecer conflitos, contextos, críticas e exemplos úteis, desde que exista pertinência.

Posso usar a Constituição?

Pode, quando o princípio ou direito realmente estiver relacionado ao argumento e você tiver segurança sobre a informação.

Posso usar leis?

Sim.

Mas não invente números de artigos ou conteúdos que não domina.

Posso usar dados estatísticos?

Sim, quando forem confiáveis e você tiver certeza da informação.

Posso inventar um dado aproximado?

Não.

Se não tem certeza, não invente.

Preciso colocar o número exato da lei?

Não existe obrigação universal.

A precisão é importante, mas é melhor formular uma referência segura do que inventar um dispositivo legal.

Repertório aumenta a nota?

Isso depende dos critérios da prova.

Um repertório bem utilizado pode fortalecer argumentação e contextualização, mas não existe regra universal de pontuação apenas por inserir uma referência.

O que é repertório coringa?

É uma referência que o candidato tenta reutilizar em vários temas.

Isso pode funcionar quando existe relação real, mas pode gerar conteúdo superficial quando é forçada.

Como criar repertório?

Aproveite:

  • seus estudos;

  • leituras;

  • fatos históricos;

  • obras;

  • leis que domina;

  • conceitos;

  • notícias;

  • conhecimento técnico.

Mais importante do que acumular referências é saber o que cada uma demonstra.

Como usar o texto de apoio?

Use como ponto de partida para interpretar o problema.

Selecione informações pertinentes e transforme-as em raciocínio próprio.

Posso copiar o texto motivador?

Não é uma boa estratégia.

O ideal é interpretar e desenvolver as ideias com sua própria formulação, respeitando também as regras específicas da prova.

O que fazer se eu não souber nenhuma citação?

Argumente.

Use causa, consequência, mecanismo, comparação e explicação.

Citação não é requisito para construir raciocínio.

Repertório pode ficar no desenvolvimento?

Sim.

O desenvolvimento costuma oferecer espaço útil para apresentar a referência e explicar sua relação com o argumento.

Posso usar repertório na introdução?

Pode.

Desde que ele ajude a contextualizar o tema e não substitua a construção da tese.

Posso usar conteúdo da matéria que estudo para o concurso?

Sim.

Conhecimento técnico pode ser um excelente repertório quando relacionado ao tema.

Como saber se meu repertório é bom?

Pergunte:

O que essa referência demonstra e como ela sustenta meu argumento?

Se você consegue responder claramente, está no caminho certo.


Repertório bom não é o mais sofisticado. É o que trabalha para o argumento

Você não precisa decorar cinquenta citações.

Não precisa assistir a séries apenas para colecionar referências.

Não precisa colocar um filósofo na primeira frase de toda redação.

E certamente não precisa inventar dados.

O processo mais seguro é outro.

Primeiro:

entenda o comando.

Depois:

defina a tese.

Em seguida:

construa o argumento.

Só então pergunte:

Existe alguma referência que realmente ajude a explicar ou demonstrar essa ideia?

Se existir, utilize.

Depois de inserir, não siga para outro assunto.

Explique:

o que essa referência demonstra;

por que ela importa;

como ela se conecta ao argumento;

e como ajuda a sustentar sua tese.

A lógica é:

IDEIA → EXPLICAÇÃO → REPERTÓRIO → ANÁLISE → TESE

e não:

CITAÇÃO → PRÓXIMA FRASE.

Durante a revisão, faça um teste simples em cada referência.

Cubra a citação com a mão.

Pergunte:

O que meu texto perdeu?

Se nada mudou, talvez você esteja usando repertório apenas como decoração.

Se a referência ajuda a explicar, exemplificar, comprovar ou contextualizar uma parte essencial do argumento, ela possui função.

E depois da correção, não olhe apenas para:

“Usei repertório?”

Pergunte:

Usei bem?

Expliquei a relação?

Era realmente pertinente?

Ajudou meu argumento a avançar?

Mantive o texto dentro do recorte?

Essas perguntas transformam repertório em ferramenta argumentativa.

Se você já possui uma redação pronta, pode enviá-la ao Editaly, escolher a banca ou adicionar o edital do seu concurso e receber uma análise com nota estimada, critérios avaliados, erros identificados e prioridades para o próximo treino.

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