Coesão e coerência na redação de concurso: qual a diferença e como melhorar
Entenda a diferença entre coesão e coerência na redação de concurso e aprenda como melhorar conectivos, retomadas, progressão e lógica do texto.

Uma redação pode ter frases gramaticalmente corretas, vários conectivos e ainda assim parecer confusa.
Isso acontece porque coesão e coerência não são a mesma coisa.
A coesão está relacionada à maneira como as partes do texto se conectam linguisticamente. Entram aí conectivos, pronomes, retomadas, substituições e outros mecanismos que ajudam uma frase a se relacionar com a seguinte.
A coerência está ligada ao sentido global.
É ela que faz a tese combinar com os argumentos, impede contradições e garante que introdução, desenvolvimento e conclusão permaneçam dentro da mesma direção.
Em termos simples:
Coesão conecta as partes. Coerência faz essas partes formarem um raciocínio.
Por isso, colocar “além disso”, “entretanto” e “portanto” entre frases não é suficiente para produzir um texto bem construído.
Neste guia, você verá a diferença entre os dois conceitos, exemplos de problemas comuns e um método prático para revisar coesão e coerência antes de entregar sua redação.
Se você ainda está trabalhando especificamente o uso de palavras de ligação, veja também nosso artigo sobre conectivos para redação de concurso.
Existe ainda uma dificuldade importante: quando você escreveu o texto, conhece a ideia que pretendia comunicar. Por isso, pode completar mentalmente relações que não ficaram tão claras para outra pessoa.
Uma segunda análise durante o treino pode ajudar a identificar essas lacunas. No Editaly, você pode observar tese, estrutura, argumentação, coerência e outros critérios dentro da redação completa.
O que é coesão textual?
Coesão textual é o conjunto de mecanismos que ajuda a conectar palavras, frases, períodos e parágrafos.
Observe:
A digitalização ampliou o número de serviços públicos disponíveis pela internet. Esse processo reduziu a necessidade de deslocamento em diversos procedimentos.
A expressão:
esse processo
retoma:
digitalização.
Isso cria conexão entre as frases.
Outro exemplo:
Parte da população possui acesso adequado à internet. Entretanto, outros grupos ainda enfrentam limitações de conectividade.
“Entretanto” explicita uma relação de contraste.
Também existe coesão em construções como:
A administração implementou uma nova plataforma. O sistema passou a concentrar diferentes procedimentos.
“Sistema” retoma semanticamente a plataforma sem repetir exatamente a mesma palavra.
Coesão ajuda o leitor a não se perder
Imagine:
A digitalização cresceu. A digitalização modificou serviços. A digitalização criou novas possibilidades. A digitalização também trouxe dificuldades.
Existe sentido.
Mas a repetição torna a leitura mecânica.
Agora:
A digitalização cresceu e modificou a oferta de serviços públicos. Esse processo criou novas possibilidades de atendimento, mas também trouxe dificuldades para grupos com menor acesso tecnológico.
A informação ficou mais conectada.
Mas coesão não se resume a conectivos
Esse ponto é importante.
Palavras como:
entretanto;
portanto;
além disso;
por isso;
são apenas um dos mecanismos possíveis.
Também podemos construir coesão com:
pronomes;
expressões equivalentes;
retomadas;
elipses;
substituições;
repetição controlada;
relações lexicais.
É justamente por isso que encher a redação de conectivos não garante um bom resultado.
O que é coerência textual?
Coerência está relacionada à consistência do sentido global do texto.
Um texto coerente apresenta ideias que:
não se contradizem sem explicação;
permanecem relacionadas ao tema;
sustentam a tese;
avançam de maneira compreensível;
conduzem a uma conclusão compatível.
Veja:
A falta de acesso à internet dificulta a utilização de serviços públicos digitais. Além disso, diversos procedimentos dependem cada vez mais de plataformas on-line. Portanto, pessoas sem acesso à internet não enfrentam qualquer dificuldade para utilizar esses serviços.
Do ponto de vista superficial, temos:
frases completas;
conectivos;
uma aparente sequência.
Mas existe uma contradição evidente.
As duas primeiras frases mostram que:
falta de internet → dificuldade.
A terceira conclui:
falta de internet → nenhuma dificuldade.
O raciocínio quebra.
Coerência depende de lógica
Outro exemplo:
A evasão escolar pode estar relacionada a dificuldades socioeconômicas. Por isso, a preservação ambiental deve receber maior investimento.
As duas frases podem estar corretas separadamente.
Mas não existe uma relação lógica clara entre elas naquele contexto.
O problema não é gramática.
É coerência.
Qual a diferença entre coesão e coerência?
A diferença pode ser resumida assim:
Coesão | Coerência |
|---|---|
Liga partes do texto | Dá sentido ao conjunto |
Atua nas relações linguísticas | Atua na lógica global |
Usa retomadas, pronomes, conectivos e substituições | Exige compatibilidade entre ideias |
Ajuda frases e parágrafos a se conectarem | Faz tese, argumentos e conclusão combinarem |
Evita partes isoladas | Evita contradições e desvios |
Uma pergunta útil para coesão é:
Como esta frase está conectada à anterior?
Para coerência:
Esta ideia realmente faz sentido dentro do raciocínio que estou construindo?

Um texto pode ter coesão e não ter coerência?
Sim.
Esse é um ponto muito importante.
Veja novamente:
A falta de internet dificulta o acesso aos serviços digitais. Além disso, muitos procedimentos dependem de plataformas on-line. Portanto, pessoas sem internet não enfrentam qualquer dificuldade para utilizá-los.
Temos:
“além disso”
e
“portanto”.
Ou seja, existem elementos formais de conexão.
Mas a conclusão contradiz as premissas.
Logo:
há ligação linguística, mas o sentido global é incoerente.
Isso mostra por que contar conectivos nunca será uma forma suficiente de avaliar a qualidade de uma redação.

Um texto pode ser coerente usando poucos conectivos?
Também pode.
Considere:
A falta de conectividade restringe o acesso a plataformas públicas. Pessoas sem internet estável podem encontrar dificuldades para enviar documentos ou acompanhar solicitações. Essa limitação mostra que disponibilizar um serviço on-line não garante acesso universal.
Não temos uma grande quantidade de conectivos tradicionais.
Mesmo assim, existe uma sequência clara:
problema
↓
efeito prático
↓
conclusão
O raciocínio avança.
Isso não significa que conectivos sejam desnecessários.
Significa apenas que:
coesão depende de um conjunto de recursos, e coerência depende principalmente da relação entre as ideias.
Os principais mecanismos de coesão na redação
Você não precisa decorar uma classificação enorme.
Mas conhecer alguns mecanismos ajuda bastante durante a revisão.
1. Referência
Um elemento retoma outro.
Exemplo:
A administração lançou uma nova plataforma. Ela será utilizada para diferentes procedimentos.
“Ela” retoma:
plataforma.
2. Coesão lexical
Palavras relacionadas ajudam a manter o tema.
Exemplo:
A digitalização dos serviços ampliou possibilidades de atendimento. Essa transformação tecnológica também criou novos desafios.
As expressões pertencem ao mesmo campo temático.
3. Substituição
Você troca uma palavra ou expressão por outra que mantenha o referente claro.
Exemplo:
O programa foi implantado em 2025. A iniciativa passou a atender novos públicos.
4. Elipse
Um elemento pode ser omitido quando o contexto permite recuperá-lo sem dificuldade.
Exemplo:
Alguns cidadãos utilizam o atendimento digital; outros, o presencial.
O verbo “utilizam” não precisa aparecer novamente.
5. Sequenciação
As ideias são organizadas por relações como:
adição;
oposição;
causa;
consequência;
exemplificação;
conclusão.
Aqui entram muitos conectivos.

Coesão referencial: como evitar repetir a mesma palavra
Repetição não é automaticamente erro.
Mas repetir o mesmo termo em praticamente todas as frases pode deixar o texto pesado.
Veja:
A digitalização cria possibilidades. A digitalização também gera desafios. A digitalização exige infraestrutura. A digitalização pode excluir parte da população.
Agora:
A digitalização cria novas possibilidades de atendimento, mas esse processo também gera desafios. A transformação exige infraestrutura adequada e pode excluir parte da população quando as condições de acesso são insuficientes.
O texto ficou mais fluido.
Formas de retomada
Dependendo do contexto, você pode utilizar:
esse processo;
essa situação;
esse problema;
essa medida;
essa iniciativa;
o fenômeno;
a proposta;
a política;
a prática.
Mas atenção.
Não procure sinônimos apenas para parecer sofisticado
Se você troca a mesma palavra várias vezes por termos pouco naturais, pode dificultar a leitura.
Às vezes repetir:
educação
é melhor do que chamar sucessivamente de:
instrução;
processo pedagógico;
formação intelectiva;
mecanismo instrucional.
Clareza vem primeiro.
Cuidado com pronomes sem referente claro
Pronomes ajudam na coesão.
Mas podem gerar ambiguidade.
Considere:
A administração ampliou o sistema depois de conversar com a empresa porque ela precisava melhorar.
Quem precisava melhorar?
administração?
empresa?
sistema?
O pronome deixou o referente confuso.
Melhor
A administração ampliou o sistema depois de conversar com a empresa porque a plataforma precisava ser aprimorada.
Agora está claro.
Faça este teste
Sempre que encontrar:
ele;
ela;
isso;
esse;
esta;
aquele;
pergunte:
O leitor sabe exatamente a que isso se refere?
Se precisar voltar várias linhas para descobrir, revise.
Coesão sequencial: como fazer uma ideia levar à outra
A coesão sequencial ajuda a organizar a progressão.
Imagine:
A desigualdade de conectividade limita o acesso aos serviços públicos digitais.
Agora queremos acrescentar outra barreira.
Poderíamos escrever:
Além das limitações materiais, o acesso efetivo também depende da capacidade de utilizar as plataformas.
A frase faz duas coisas:
retoma D1;
introduz D2.
Isso é muito melhor do que:
Ademais, existe outro problema.
Porque a própria transição informa qual relação existe entre os parágrafos.
Esse uso é aprofundado em nosso guia Conectivos para redação de concurso.
O que faz um texto perder coerência?
Existem vários caminhos.
1. Contradição
Você afirma uma coisa e depois defende o contrário sem justificar a mudança.
Exemplo:
A digitalização amplia o acesso.
Depois:
A digitalização nunca produz qualquer ampliação de acesso.
Se não houver explicação, existe contradição.
2. Mudança de tese
Introdução:
o problema decorre de A + B.
Desenvolvimento:
passa a discutir C + D.
A direção mudou.
3. Argumentos que não sustentam a tese
Tese:
evasão escolar depende de fatores econômicos e condições de permanência.
D1:
economia.
D2:
importância das redes sociais.
O segundo argumento não sustenta aquilo que foi anunciado.
4. Exemplo que prova outra coisa
Você apresenta um exemplo aparentemente interessante, mas ele não demonstra o argumento do parágrafo.
5. Conclusão incompatível
O desenvolvimento mostra:
A.
A conclusão afirma:
não A.
Ou apresenta uma solução para um problema que nem foi discutido.
6. Fuga ou tangenciamento
O texto começa dentro do tema e gradualmente passa a discutir algo apenas relacionado.
Nosso guia sobre como interpretar o comando da redação ajuda justamente a evitar esse deslocamento.
7. Relação causal inventada
A ocorreu. Portanto, B.
Mas não existe fundamento suficiente para afirmar que A causou B.
8. Generalizações excessivas
Expressões como:
todos;
sempre;
nunca;
necessariamente;
qualquer pessoa;
podem criar afirmações muito mais fortes do que seus argumentos conseguem sustentar.
Coerência entre introdução, D1, D2 e conclusão
Aqui está uma das maneiras mais importantes de pensar a redação.
Imagine:
Tese
A + B.
Desenvolvimento 1
explica A.
Desenvolvimento 2
explica B.
Conclusão
mostra o que A + B permitiram concluir.
Temos uma linha.
Agora imagine:
Tese
A + B.
D1
A.
D2
C.
Conclusão
A + B.
O início e o final parecem combinar.
Mas o meio quebrou a estrutura.
Exemplo
Tese:
A inclusão digital encontra barreiras na infraestrutura e na familiaridade tecnológica.
D1:
infraestrutura.
D2:
segurança cibernética.
Conclusão:
infraestrutura + familiaridade.
Pergunta:
onde a familiaridade foi desenvolvida?
Não foi.
O texto perdeu coerência estrutural.


Uma análise do texto completo pode ajudar bastante nesse ponto.
É possível que cada parágrafo pareça bom isoladamente, mas que eles não formem uma estrutura consistente quando colocados juntos.
No Editaly, você pode observar a relação entre tese, D1, D2, conclusão, argumentação e demais critérios dentro da redação utilizada no treino.
Progressão textual: o texto precisa avançar
Um texto pode não se contradizer e ainda assim parecer parado.
Veja:
A falta de internet dificulta o acesso.
Muitas pessoas não possuem internet.
A ausência de conexão dificulta a utilização.
Temos três frases.
Mas praticamente uma ideia.
Agora:
A falta de internet limita o acesso às plataformas digitais. Sem conexão adequada, cidadãos podem encontrar dificuldades para enviar documentos ou acompanhar solicitações. Como consequência, serviços criados para facilitar o atendimento podem permanecer inacessíveis para parte da população.
Temos progressão:
falta de acesso
↓
dificuldade prática
↓
efeito sobre os serviços
Cada frase adiciona algo.
Pergunte:
O que esta frase acrescenta?
Se a resposta for:
“mais ou menos a mesma coisa da anterior”;
talvez seja hora de revisar.
Isso vale também para D1 e D2.
Se ambos apenas reformulam o mesmo argumento, a redação ocupa espaço sem avançar.
Repetição é sempre falta de coesão?
Não.
Algumas repetições são úteis e até necessárias.
Imagine que o texto discuta:
administração pública.
Você não precisa encontrar um novo sinônimo em cada linha.
Repetir o termo em pontos estratégicos pode manter a referência clara.
O problema é repetição mecânica
A administração precisa melhorar. A administração precisa investir. A administração precisa planejar. A administração precisa modernizar.
Isso fica pesado.
Mas existe o problema oposto
Tentar evitar qualquer repetição:
administração pública → máquina estatal → aparato governamental → estrutura institucional → organismo público...
pode fazer o leitor perder a referência.
A pergunta correta não é:
“Repeti alguma palavra?”
É:
“Essa repetição prejudica a leitura ou ajuda a manter clareza?”
Conectivo errado pode prejudicar coesão e coerência?
Pode.
Veja:
A falta de internet dificulta o acesso aos serviços digitais. Entretanto, cidadãos sem conexão podem não conseguir utilizar as plataformas.
“Entretanto” indica contraste.
Mas as ideias apontam na mesma direção.
Melhor:
A falta de internet dificulta o acesso aos serviços digitais. Por isso, cidadãos sem conexão podem não conseguir utilizar as plataformas.
Agora existe:
causa
↓
consequência.
O conectivo errado não é apenas uma palavra inadequada.
Ele apresenta ao leitor uma relação lógica diferente daquela que o texto realmente possui.
Esse é um bom exemplo de como coesão e coerência podem se encontrar.
Como conectar parágrafos sem usar fórmulas
Nem todo D2 precisa começar com:
ademais.
Você pode construir a conexão retomando o conteúdo anterior.
D1:
infraestrutura.
D2:
utilização.
Transição:
Embora a disponibilidade de infraestrutura seja indispensável, ela não garante sozinha o acesso efetivo, pois a utilização das plataformas também depende de familiaridade tecnológica.
Perceba:
retomamos D1;
mostramos limite;
introduzimos D2.
A transição faz parte da argumentação.
Outra possibilidade
Além das condições materiais, a capacidade de utilização constitui uma segunda dimensão do problema.
Simples.
Clara.
Funcional.
Como saber se um parágrafo está coerente internamente
Não basta olhar o texto inteiro.
Cada parágrafo também precisa ter unidade.
Faça quatro perguntas:
Qual é a ideia central?
Consigo resumir o parágrafo?
As outras frases desenvolvem essa ideia?
Ou começam a discutir outra coisa?
Existe progressão?
Cada frase acrescenta algo?
O fechamento combina com aquilo que foi explicado?
Se o parágrafo começa sobre:
desigualdade de infraestrutura;
e termina falando sobre:
capacitação de servidores;
sem construir nenhuma relação, provavelmente perdeu unidade.
Nosso artigo sobre como fazer o desenvolvimento da redação aprofunda essa estrutura interna.
Coerência não significa concordar com o corretor
Esse é um ponto que vale esclarecer.
Coerência não significa apresentar uma opinião que o avaliador pessoalmente prefere.
Significa construir um raciocínio que:
mantenha consistência;
não se contradiga;
seja compatível com o comando;
apresente relações compreensíveis;
seja sustentado pelos argumentos utilizados.
Em uma dissertação argumentativa, você precisa defender a direção escolhida com lógica.
Isso é diferente de tentar adivinhar a opinião pessoal de quem corrigirá.
Como a argumentação influencia a coerência
Uma tese pode estar boa.
D1 e D2 podem tratar dos temas certos.
Mesmo assim, a coerência pode enfraquecer se as relações internas dos argumentos forem frágeis.
Exemplo:
A falta de educação financeira aumenta o endividamento porque as pessoas usam cartões de crédito. Portanto, todo uso de cartão produz endividamento.
O raciocínio extrapolou.
Existe diferença entre:
uso inadequado de crédito pode contribuir para endividamento;
e:
qualquer uso necessariamente produz endividamento.
Argumentar melhor também significa preservar relações lógicas plausíveis.
Se quiser aprofundar esse ponto, consulte nosso guia Como melhorar a argumentação na redação de concurso.
Como revisar coesão e coerência em duas passagens
Em vez de tentar revisar tudo ao mesmo tempo, faça duas leituras.
Primeira passagem — coerência
Ignore por alguns minutos:
vírgulas;
ortografia;
detalhes de estilo.
Pergunte:
Comando
Respondi exatamente ao que foi pedido?
Tese
Existe uma direção clara?
D1
Sustenta parte da tese?
D2
Acrescenta outra dimensão?
Conclusão
Fecha aquilo que realmente foi desenvolvido?
Contradições
Existe algum ponto em que digo A e depois nego A?
Progressão
O texto realmente avança?
Só depois passe para a segunda leitura.
Segunda passagem — coesão
Agora observe:
pronomes;
retomadas;
repetições;
conectivos;
transições;
referência entre frases;
ligação entre parágrafos.
Essa ordem é útil porque não faz sentido corrigir um pronome impecavelmente dentro de um parágrafo que deveria ser completamente reestruturado.
O teste do resumo
Existe uma maneira rápida de verificar a direção global.
Resuma sua redação.
Introdução
Uma frase:
tese A + B.
D1
Três palavras:
barreira de infraestrutura.
D2
Três palavras:
dificuldade de utilização.
Conclusão
Uma frase:
efetividade depende de enfrentar A + B.
Agora leia apenas os quatro resumos.
Existe uma linha lógica?
Sim.
Agora imagine:
Introdução
infraestrutura + utilização.
D1
infraestrutura.
D2
segurança.
Conclusão
infraestrutura + utilização.
O problema aparece imediatamente.
Esse exercício é especialmente útil quando a redação é longa.
O teste das setas
Outra técnica simples:
Pegue duas ideias seguidas.
Escreva mentalmente:
A → B
Agora pergunte:
Que relação permite essa seta?
Pode ser:
A causa B;
A contrasta com B;
B exemplifica A;
B acrescenta A;
B resulta de A;
B explica A.
Se você não consegue identificar relação nenhuma, talvez as ideias estejam apenas colocadas lado a lado.
Exemplo
A digitalização reduz deslocamentos.
↓
parte da população não possui internet.
Relação:
contraste.
Então:
entretanto.
Outro:
parte da população não possui internet.
↓
encontra dificuldade para acessar plataformas.
Relação:
consequência.
Então:
por isso.
Esse teste aproxima coesão de raciocínio.
8 erros de coesão e coerência na redação
1. Usar pronome sem referente claro
O leitor não sabe a quem “ele” ou “ela” se refere.
2. Repetir palavras mecanicamente
A leitura fica pesada e pouco fluida.
3. Trocar termos tantas vezes que o referente se perde
Variar por variar também pode prejudicar.
4. Usar conectivo inadequado
A palavra sinaliza uma relação que não existe.
5. D1 repetir D2
O texto não progride.
6. Tese e desenvolvimento seguirem caminhos diferentes
A introdução promete algo que o texto não entrega.
7. Conclusão apresentar uma ideia nova
A discussão é aberta justamente quando deveria ser encerrada.
8. Mudar de assunto dentro do parágrafo
O parágrafo perde unidade.
Esses problemas também aparecem dentro de vários dos casos discutidos em 12 erros que mais tiram pontos na redação de concurso.
Checklist de coesão e coerência
Antes de entregar, faça este teste.
COESÃO
Está claro a que cada pronome se refere?
Evitei repetição mecânica?
As substituições mantêm o referente claro?
Os conectivos representam relações corretas?
As frases estão bem ligadas?
Os parágrafos se conectam?
As retomadas são compreensíveis?
Evitei palavras sofisticadas apenas para variar?
COERÊNCIA
Minha tese responde ao comando?
D1 sustenta a tese?
D2 acrescenta uma dimensão diferente?
Não existem contradições?
Cada parágrafo possui uma ideia central?
Cada frase acrescenta algo?
Os exemplos realmente sustentam o argumento?
A conclusão nasce do que foi desenvolvido?
Permaneci dentro do recorte?
O texto mantém a mesma direção do início ao fim?
Se você consegue responder positivamente à maior parte dessas perguntas, está olhando muito além de:
“Usei conectivos suficientes?”

Faça primeiro essa revisão por conta própria.
Depois, se quiser comparar sua leitura com uma segunda análise, você pode enviar sua redação ao Editaly e observar tese, estrutura, argumentação, coerência, linguagem e outros critérios relacionados ao treinamento.
Perguntas frequentes sobre coesão e coerência
O que é coesão textual?
É o conjunto de mecanismos utilizados para conectar as partes do texto.
Isso inclui recursos como:
pronomes;
conectivos;
retomadas;
substituições;
relações lexicais.
O que é coerência textual?
É a consistência do sentido global.
Um texto coerente mantém uma linha lógica, evita contradições e apresenta compatibilidade entre tese, argumentos e conclusão.
Qual a diferença entre coesão e coerência?
De forma simples:
coesão conecta as partes; coerência faz essas partes construírem sentido juntas.
Conectivo é um mecanismo de coesão?
Sim.
Conectivos são um dos mecanismos utilizados para explicitar relações entre ideias.
Mas coesão não se resume a eles.
Um texto pode ser coeso e incoerente?
Sim.
É possível usar conectivos corretamente do ponto de vista formal e ainda construir ideias contraditórias ou logicamente incompatíveis.
Como melhorar a coesão da redação?
Revise:
retomadas;
pronomes;
repetição;
conectivos;
transições entre frases;
transições entre parágrafos.
Como melhorar a coerência?
Verifique se:
a tese responde ao comando;
D1 e D2 sustentam essa tese;
não existem contradições;
cada parte acrescenta algo;
a conclusão corresponde ao desenvolvimento.
Posso repetir palavras na redação?
Sim.
Repetição não é automaticamente erro.
O problema é repetição excessiva ou mecânica que prejudique a fluidez.
Como evitar repetição?
Utilize, quando natural:
pronomes;
expressões equivalentes;
substituições;
elipses;
retomadas.
Mas preserve a clareza.
O que é coesão referencial?
É a conexão criada quando um elemento do texto retoma ou antecipa outro.
Exemplo:
A nova plataforma foi implantada. Ela reúne diferentes serviços.
O que é coesão sequencial?
É a organização da progressão entre partes do texto por meio de relações como:
adição;
contraste;
causa;
consequência;
conclusão.
Conectivos são um recurso importante nesse processo.
Como conectar melhor os parágrafos?
Em vez de apenas colocar uma palavra como “ademais”, procure mostrar qual relação existe entre os conteúdos.
Exemplo:
Além das limitações materiais discutidas anteriormente, existe também uma barreira relacionada à utilização das plataformas.
Como saber se meu texto tem coerência?
Faça o teste:
minha conclusão realmente resulta daquilo que minha introdução e meus desenvolvimentos demonstraram?
Também resuma tese, D1, D2 e conclusão e observe se todos seguem a mesma direção.
Coesão e coerência podem tirar pontos?
A forma como esses aspectos impactam a nota depende dos critérios específicos da banca e do edital.
Em muitas avaliações, problemas de organização, articulação, progressão ou consistência podem estar contemplados dentro de critérios linguísticos, estruturais ou argumentativos.
Por isso, não presuma pesos universais.
Coesão conecta frases. Coerência conecta o raciocínio inteiro
Uma redação não melhora simplesmente porque ganhou mais conectivos.
Também não fica automaticamente pior porque repetiu uma palavra.
O objetivo é muito maior:
fazer o leitor acompanhar o raciocínio sem se perder.
Para isso, observe dois níveis.
No nível das frases
Pergunte:
Está claro quem ou o que está sendo retomado?
As palavras de ligação representam relações corretas?
Existe repetição desnecessária?
No nível do texto
Pergunte:
Minha tese permaneceu a mesma?
D1 e D2 sustentaram essa tese?
Meus argumentos avançaram?
Existe alguma contradição?
A conclusão nasceu daquilo que realmente desenvolvi?
Esses dois níveis trabalham juntos.
Você pode ter uma redação cheia de conectivos e ainda incoerente.
Também pode ter um raciocínio interessante prejudicado por referências confusas e transições fracas.
Por isso, faça a revisão em duas passagens:
primeiro coerência; depois coesão.
Comece pelo que pode comprometer o texto inteiro.
Depois refine as conexões.
E, após receber uma correção, tente transformar o problema em algo específico.
Em vez de pensar:
“Minha redação não está boa.”
procure chegar a diagnósticos como:
“D1 e D2 estão repetindo a mesma ideia.”
“Minha conclusão não corresponde ao que desenvolvi.”
“Uso pronomes com referentes pouco claros.”
“Meus conectivos nem sempre representam a relação correta.”
Agora você sabe o que treinar.
Se já possui uma redação pronta, pode enviá-la ao Editaly, escolher a banca ou adicionar o edital do concurso e receber uma análise com nota estimada, critérios avaliados, erros identificados e prioridades para o próximo treino.



