Técnicas de Escrita

Redação de concurso x redação do ENEM: quais são as diferenças?

Entenda o que muda entre a redação do ENEM e as provas discursivas de concursos públicos, quais habilidades podem ser aproveitadas e o que precisa ser adaptado ao edital, ao formato e aos critérios da sua prova.

Por Equipe Editaly19 min de leitura • 21 de agosto de 2026
Redação de concurso x ENEM: diferenças

Se você aprendeu a fazer redação estudando para o ENEM, já possui habilidades que podem ajudar bastante em concursos públicos.

Você provavelmente aprendeu a:

  • interpretar um tema;

  • construir uma tese;

  • organizar parágrafos;

  • desenvolver argumentos;

  • utilizar conectivos;

  • manter coesão e coerência;

  • revisar o texto.

O problema começa quando essas habilidades são confundidas com uma regra universal.

É comum o candidato pensar:

“Redação é redação. Vou usar exatamente o mesmo modelo que aprendi para o ENEM.”

E então ele automaticamente:

  • escreve uma dissertação com o mesmo formato;

  • tenta colocar dois argumentos;

  • procura um repertório “coringa”;

  • prepara uma proposta de intervenção;

  • conclui pensando nas competências do ENEM.

Só que uma prova de concurso pode estar pedindo outra coisa.

Pode ser uma redação dissertativo-argumentativa.

Mas também pode ser:

  • uma questão discursiva;

  • um estudo de caso;

  • uma resposta técnica;

  • uma peça prática;

  • uma combinação de formatos.

Além disso, os critérios de correção não precisam ser os mesmos utilizados no ENEM.

A resposta curta é:

Redação de concurso e redação do ENEM não são a mesma prova. Elas podem compartilhar habilidades como argumentação, clareza, coesão e organização, mas o formato, o conteúdo, os critérios e a estratégia de resposta devem ser definidos pelas regras específicas de cada avaliação.

Por isso, não jogue fora aquilo que você aprendeu para o ENEM.

Adapte.

Essa é a palavra mais importante deste artigo.

Se você já está se preparando para um concurso específico, vale também consultar nosso guia sobre como encontrar os critérios da prova discursiva no edital.

E essa diferença também importa na hora da correção. Uma redação de concurso pode parecer boa quando analisada por uma régua genérica e ainda estar desalinhada com aquilo que a seleção realmente cobra.

No Editaly, você pode escolher a banca ou enviar o edital para utilizar uma referência de análise mais próxima da prova que pretende fazer.

Redação de concurso e ENEM não são a mesma prova.

Redação de concurso é igual à redação do ENEM?

Não.

Mas dizer apenas:

“são diferentes”

também simplifica demais.

Existem habilidades em comum.

O que muda é a maneira como essas habilidades precisam ser aplicadas dentro de cada prova.

No ENEM, o Inep define oficialmente uma proposta específica: o participante deve produzir um texto dissertativo-argumentativo, em modalidade escrita formal da língua portuguesa, defendendo um ponto de vista sobre tema de ordem social, científica, cultural ou política. A avaliação segue competências próprias, e a redação também deve apresentar uma proposta de intervenção para o problema discutido.

Isso cria um modelo de prova relativamente bem delimitado.

Em concursos públicos, a expressão:

prova discursiva

pode esconder formatos muito diferentes.

Um edital do Cebraspe para a CGM de Porto Velho em 2026, por exemplo, estabeleceu uma redação de até 40 linhas sobre atualidades e uma questão de até 15 linhas sobre conhecimentos específicos do cargo. Já um edital da FGV para Delegado da Polícia Civil do Paraná em 2026 estabeleceu quatro questões discursivas de até 20 linhas e uma peça prática-profissional de até 60 linhas.

Nos dois casos existe:

prova discursiva.

Mas seria um erro treinar para as duas como se fossem simplesmente uma redação do ENEM com outro tema.


O que a redação do ENEM e a de concurso podem ter em comum?

Muita coisa que você aprendeu continua útil.

Argumentação

Saber formular uma ideia e sustentá-la continua sendo uma habilidade valiosa em diversas provas discursivas.

Coesão

As frases precisam se relacionar.

Os parágrafos não podem parecer blocos isolados.

Coerência

Seu texto precisa manter uma direção compreensível.

Clareza

Não adianta dominar o assunto se a resposta fica difícil de entender.

Organização

Planejar antes de escrever ajuda a distribuir conteúdo e espaço.

Domínio linguístico

Pontuação, concordância, ortografia, construção das frases e escolha vocabular continuam relevantes em muitos contextos.

Interpretação do comando

Talvez seja uma das habilidades mais importantes de todas.

Você precisa responder:

o que foi efetivamente pedido?

Revisão

Encontrar falhas antes de entregar continua sendo uma vantagem.

Portanto:

ter estudado para o ENEM não significa começar do zero em concurso.

O que você não deve fazer é assumir que toda a estrutura da prova também será igual.

O que aproveitar do ENEM e o que precisa adaptar para concurso.

A maior diferença: o ENEM é um modelo específico; concurso depende da prova

O ENEM possui uma matriz própria.

A cartilha oficial do Inep explica o tipo textual esperado, as competências avaliadas, a necessidade de argumentação coerente e coesa e a elaboração de uma proposta de intervenção.

Em concurso público, não existe uma única matriz nacional válida para qualquer prova discursiva.

Você precisa descobrir:

  • qual é o formato;

  • qual é o conteúdo;

  • quantas respostas serão exigidas;

  • o limite de linhas;

  • como será a pontuação;

  • quais critérios serão avaliados;

  • quais regras formais existem;

  • o que o comando específico pede no dia da prova.

Pense assim:

ENEM

Existe um exame específico.

Existe uma matriz específica.

Você estuda para aquela matriz.

Concurso

Existe um concurso específico.

Existe um edital específico.

Existe uma prova específica.

Você precisa estudar para aquela exigência.

Isso muda completamente a lógica.

O ENEM é um modelo específico. Concurso depende do edital.

Toda redação de concurso precisa ser dissertativo-argumentativa?

Não.

Esse é um dos primeiros hábitos que precisam ser abandonados.

Alguns concursos realmente exigem uma redação dissertativa ou dissertativo-argumentativa.

Nesse caso, várias habilidades treinadas para o ENEM podem ser reaproveitadas.

Mas outros podem pedir:

  • questão discursiva;

  • estudo de caso;

  • resposta fundamentada;

  • peça prática;

  • texto técnico;

  • outros formatos definidos no edital.

No exemplo da PCPR/FGV de 2026, o candidato a Delegado não enfrenta simplesmente uma “redação tradicional”: a prova possui quatro questões jurídicas e uma peça prática-profissional.

Nesse contexto, tentar encaixar automaticamente:

contextualização → tese → D1 → D2 → proposta de intervenção

seria completamente inadequado.

Antes de escolher a estrutura, descubra a tarefa

A estrutura deve nascer de:

gênero + comando + critérios + espaço disponível.

Não do modelo que você conhece melhor.


Toda redação de concurso precisa de proposta de intervenção?

Não.

Essa talvez seja a diferença mais importante para quem vem do ENEM.

Na redação do ENEM, a proposta de intervenção possui função específica dentro da matriz.

A cartilha oficial de 2025 identifica a Competência V como a elaboração de proposta de intervenção para o problema abordado, com respeito aos direitos humanos, e detalha elementos como ação, agente, modo ou meio, efeito e detalhamento.

Isso pertence ao modelo do ENEM.

Não significa:

“Toda redação boa termina assim.”

Em concurso, você precisa olhar para o comando.

Compare estas duas propostas fictícias.

Proposta A

Analise dois impactos da digitalização dos serviços públicos sobre o acesso da população.

O comando pede:

análise.

Agora:

Proposta B

Analise dois impactos da digitalização dos serviços públicos e apresente uma medida capaz de reduzir uma das dificuldades identificadas.

Aqui existe uma segunda tarefa:

apresentar uma medida.

Não é porque você estudou proposta de intervenção para o ENEM que deve acrescentá-la automaticamente à primeira questão.

E não é porque o concurso não é ENEM que você deve ignorar a medida solicitada na segunda.

A regra mais segura é:

faça aquilo que o comando pediu.

Se quiser aprofundar essa etapa, veja nosso artigo sobre como interpretar o comando da redação de concurso e não fugir do tema.

Posso usar a estrutura do ENEM em uma redação de concurso?

Às vezes, parte dela pode funcionar.

Imagine que determinado edital realmente exige:

  • dissertação argumentativa;

  • tema amplo;

  • espaço compatível;

  • tese;

  • desenvolvimento;

  • conclusão.

Você pode aproveitar bastante coisa.

Por exemplo:

INTRODUÇÃO → D1 → D2 → CONCLUSÃO

pode ser uma organização perfeitamente viável.

O problema é confundir:

estrutura possível

com:

estrutura obrigatória universal.

Faça quatro perguntas

Antes de usar qualquer modelo, descubra:

  1. Que gênero foi solicitado?

  2. Qual é o limite de linhas?

  3. Quais tarefas existem no comando?

  4. Quais critérios serão avaliados?

Só depois monte a estrutura.

Um modelo pronto pode ocupar espaço que a prova precisava para outra coisa

Imagine uma questão técnica de 15 linhas.

Se você gastar:

  • 4 linhas contextualizando;

  • 3 apresentando tese;

  • 4 construindo transições elegantes;

talvez reste pouco espaço para responder o conteúdo técnico que realmente vale pontos.

Essa é uma diferença estratégica enorme.


O tema de concurso funciona como o tema do ENEM?

Não necessariamente.

A redação do ENEM trabalha com um tema de ordem social, científica, cultural ou política, conforme a orientação oficial do Inep.

Em concursos, você pode encontrar temas:

  • sociais;

  • institucionais;

  • administrativos;

  • jurídicos;

  • ligados à segurança;

  • relacionados à saúde;

  • tecnológicos;

  • vinculados ao conteúdo específico do cargo;

  • relacionados a atualidades.

E também pode não existir um “tema de redação” no sentido tradicional.

Pode existir uma situação-problema seguida de perguntas.

Exemplo

O candidato pode precisar explicar:

um conceito;

suas características;

consequências;

providências cabíveis.

Isso exige organização e linguagem.

Mas não necessariamente a mesma lógica utilizada para discutir um problema social no ENEM.


Os critérios de correção são iguais?

Não.

No ENEM, existe uma matriz de competências definida para aquele exame.

Em concurso, você deve encontrar os critérios da sua prova.

Eles podem abordar, dependendo do edital:

  • conteúdo;

  • estrutura;

  • apresentação;

  • domínio da escrita;

  • argumentação;

  • fundamentação;

  • conhecimento técnico;

  • coerência;

  • coesão;

  • propriedade vocabular;

  • outros elementos.

O edital Cebraspe da CGM Porto Velho de 2026, por exemplo, separa a avaliação de conteúdo e o domínio da modalidade escrita, com fórmula própria para cálculo da nota.

Já a prova discursiva da PCPR/FGV citada anteriormente possui estrutura, disciplinas e exigências ligadas a uma avaliação jurídica específica.

O aprendizado importante não é decorar esses dois casos.

É perceber:

não existe uma única régua que possa ser aplicada automaticamente a todo concurso.

Por isso, criamos um guia separado ensinando como encontrar os critérios da prova discursiva no edital.

O primeiro erro é corrigir a redação de concurso com a régua errada

Imagine que você produza uma resposta excelente para:

uma questão técnica de 20 linhas.

Depois alguém avalia dizendo:

“Faltou uma contextualização mais ampla na introdução.”

Mas talvez a prova não exigisse isso.

Ou:

“Faltou proposta de intervenção.”

Mas o comando não pediu nenhuma medida.

Ou o contrário:

o candidato produz uma redação muito elegante, mas deixa de desenvolver:

dois conhecimentos técnicos;

que estavam explicitamente previstos na correção.

Uma avaliação útil precisa perguntar primeiro:

qual era a prova?

Só depois:

como está o texto?

É essa lógica que deve orientar também seus treinos.


O repertório funciona da mesma maneira?

Nem sempre.

Se você estudou para o ENEM, pode ter criado o hábito de buscar repertório sociocultural para fortalecer a argumentação.

Isso continua podendo ser útil.

Mas em concurso o conhecimento relevante pode assumir formas muito diferentes.

Dependendo da prova, pode ser:

  • legislação;

  • conceito técnico;

  • conhecimento específico do cargo;

  • política pública;

  • princípio administrativo;

  • fato histórico;

  • dado;

  • repertório cultural;

  • conhecimento relacionado à área profissional.

O repertório mais útil pode ser aquilo que você já estuda

Imagine um candidato de uma área administrativa.

Ele talvez consiga mobilizar conhecimentos sobre:

  • transparência;

  • governança;

  • eficiência;

  • gestão pública.

Um candidato de segurança pode possuir repertório relacionado a:

  • políticas de prevenção;

  • criminalidade;

  • direitos;

  • atuação estatal.

Para determinadas provas, isso pode ser muito mais relevante do que decorar uma citação genérica de um filósofo.

Nosso guia sobre como usar repertório na redação de concurso mostra exatamente como fazer uma referência trabalhar para o argumento em vez de apenas decorar o texto.

Uma citação “coringa” não substitui conhecimento técnico

Esse ponto merece atenção.

Imagine uma questão perguntando sobre:

determinado instituto jurídico.

Você escreve:

“Como dizia determinado filósofo…”

Isso não responde ao conhecimento exigido.

Uma referência cultural pode ser interessante em uma dissertação.

Mas não transforme repertório em fuga do conteúdo.

A pergunta continua sendo:

o que o corretor precisa encontrar nessa resposta?


A linguagem também pode precisar de adaptação

Formalidade e correção são importantes em ambos os contextos.

Mas o tipo de resposta pode mudar a linguagem adequada.

Uma dissertação de tema social permite um desenvolvimento argumentativo diferente de:

uma resposta jurídica;

uma análise administrativa;

uma peça técnica.

Isso não significa escrever de maneira incompreensível ou recheada de jargões.

Significa respeitar:

  • o gênero;

  • o leitor;

  • o conteúdo;

  • o nível de precisão esperado.

Linguagem sofisticada não compensa inadequação

Você pode escrever uma frase belíssima e ainda não responder ao item.

Em concurso, clareza e precisão costumam ser muito mais úteis do que tentar parecer “literário”.


Conclusão de concurso também não é automaticamente conclusão do ENEM

Essa diferença merece reforço.

No ENEM, a intervenção está integrada à matriz de avaliação.

Em uma redação de concurso, a conclusão precisa responder à lógica do texto e às exigências da prova.

Pode ser:

síntese;

fechamento do raciocínio;

resposta final;

encaminhamento;

medida solicitada no comando.

Mas não existe uma única conclusão obrigatória para qualquer concurso.

Se o comando não pediu uma proposta, não acrescente cinco elementos de intervenção apenas porque foi treinado dessa forma.

Nosso artigo sobre como fazer a conclusão da redação para concurso aprofunda justamente esse cuidado.

5 erros de quem sai do ENEM e começa a estudar para concurso

1. Achar que toda redação precisa de proposta de intervenção

No ENEM, ela integra a avaliação.

No concurso:

verifique a prova.

2. Usar um modelo pronto antes de ler o edital

O candidato decide:

“Minha redação terá quatro parágrafos.”

antes de descobrir se fará:

redação, questão, estudo de caso ou peça.

A ordem está invertida.

3. Ignorar questões técnicas

Treinar apenas dissertações de temas sociais pode ser pouco útil se sua prova cobrará respostas sobre conhecimentos específicos.

4. Usar repertório decorativo

A referência é encaixada porque:

“fica bonito”.

Mas não ajuda o argumento.

5. Treinar com uma régua de correção diferente da prova

Talvez seja o problema mais importante.

Você pode estar evoluindo em habilidades que realmente importam.

Mas também pode estar gastando energia tentando cumprir um critério que seu edital nem utiliza, enquanto ignora outro que será efetivamente pontuado.

5 erros de quem sai do ENEM e vai para concurso.

Você já revisou. Agora veja o que ainda pode ter passado.

Depois de entender essas diferenças, a correção do treino também precisa mudar.

Se o concurso informa critérios próprios, sua preparação deve tentar reproduzir esse contexto.

No Editaly, você pode escolher a banca ou enviar o edital e utilizar essa referência na análise da redação, observando estrutura, argumentação, linguagem e outros critérios relacionados à prova.

O que aproveitar do ENEM e o que adaptar para concurso

Não precisamos tratar tudo o que você aprendeu como errado.

Faça esta separação.

O que pode continuar muito útil

Argumentação

Saber sustentar ideias.

Coesão

Criar boas relações entre frases e parágrafos.

Coerência

Manter uma direção do começo ao fim.

Planejamento

Pensar antes de escrever.

Revisão

Reservar tempo para conferir o texto.

Clareza

Expressar o raciocínio de maneira compreensível.

O que precisa ser confirmado ou adaptado

Estrutura

Não presuma quatro parágrafos.

Proposta de intervenção

Não presuma que é obrigatória.

Repertório

Adapte ao tipo de conteúdo.

Linguagem

Observe o gênero da resposta.

Limite de linhas

Treine no espaço real.

Tipo de tema

Pode ser técnico.

Critérios

Use aqueles previstos para o concurso.

Conteúdo

Em algumas provas, dominar a matéria específica é parte central da pontuação.


Como migrar do estudo de redação para ENEM para concurso

Se você vem do ENEM, pode seguir esta sequência.

Passo 1 — mantenha as habilidades de base

Continue treinando:

  • clareza;

  • argumentação;

  • coesão;

  • coerência;

  • revisão.

Você não precisa desmontar tudo.

Passo 2 — pare de considerar o modelo uma regra

Sua estrutura agora passa a ser uma decisão.

Não um reflexo automático.

Passo 3 — leia o edital

Descubra:

  • formato;

  • linhas;

  • pontuação;

  • critérios;

  • conteúdo;

  • regras.

Passo 4 — encontre provas anteriores

Observe:

como aquela cobrança apareceu na prática?

Passo 5 — procure espelho ou padrão de resposta

Quando estiver disponível, analise:

o que foi valorizado?

Passo 6 — treine dentro do limite real

Se sua questão tem:

15 linhas,

treine 15.

Se tem:

40,

treine 40.

Se possui quatro respostas:

treine distribuição de tempo entre quatro respostas.

Passo 7 — ajuste o repertório

Use aquilo que realmente serve ao conteúdo.

Passo 8 — corrija segundo a prova

Não pergunte apenas:

“Minha redação está boa?”

Pergunte:

“Minha resposta atende aos critérios desta seleção?”


Exemplo prático de adaptação

Imagine que você estudou ENEM durante anos.

Agora vai prestar uma prova que exige:

dissertação de até 30 linhas sobre tema relacionado à administração pública.

O edital informa critérios relacionados a:

  • conteúdo;

  • argumentação;

  • estrutura;

  • linguagem.

O que você pode aproveitar?

Muito.

Pode usar:

tese;

desenvolvimento;

coesão;

argumentação;

revisão.

O que precisa verificar?

Se existe:

proposta obrigatória?

Não assuma.

Qual tipo de conteúdo será esperado?

Veja edital e provas anteriores.

Como linguagem será corrigida?

Veja os critérios.

Seu repertório sobre filmes e filosofia é realmente o mais útil?

Talvez conhecimento sobre administração pública seja mais produtivo.

Essa é a mentalidade correta:

aproveitar a habilidade e adaptar a execução.


E se o edital pedir uma redação muito parecida com o ENEM?

Ótimo.

Nesse caso, partes importantes do seu treinamento podem ser reutilizadas.

Mas ainda assim confira:

  • critérios;

  • linhas;

  • tema;

  • forma de pontuação;

  • conclusão;

  • hipóteses de zero;

  • regras materiais.

“Parecido” não significa:

idêntico.

Se a banca exige outra forma de correção, isso já muda o foco da revisão.


E se o edital não detalhar muito a redação?

Nesse caso, monte sua análise utilizando:

1. Edital

O que está formalmente previsto.

2. Retificações

Alguma regra mudou?

3. Provas anteriores

Que formato a banca utilizou em situações semelhantes?

4. Padrões de resposta ou espelhos

Quando existirem.

5. Conteúdo programático

A discursiva pode estar ligada diretamente a ele.

O importante é separar:

regra atual

de:

padrão histórico.

Não transforme comportamento passado em obrigação atual sem conferir a documentação.


Redação para concurso é mais difícil que ENEM?

Não existe uma resposta universal.

A dificuldade depende de:

  • formação do candidato;

  • tipo de prova;

  • tema;

  • domínio do conteúdo;

  • tempo;

  • critérios;

  • quantidade de questões;

  • nível técnico.

Para alguém muito acostumado ao ENEM, uma dissertação de tema social pode parecer mais natural.

Para alguém com forte conhecimento jurídico, uma questão técnica pode ser mais confortável.

A comparação mais produtiva não é:

“qual é mais difícil?”

É:

“quais habilidades esta prova exige de mim?”


Preciso desaprender a redação do ENEM?

Não.

Precisa parar de tratá-la como modelo universal.

Pense em uma caixa de ferramentas.

Você já possui:

  • argumentação;

  • organização;

  • coesão;

  • revisão;

  • planejamento.

Agora precisa escolher quais ferramentas utilizar.

E talvez acrescentar outras:

  • síntese;

  • conhecimento técnico;

  • resposta direta;

  • fundamentação;

  • adaptação a espaço reduzido.


Checklist: estou escrevendo como ENEM ou como concurso?

Antes do próximo treino, faça esta conferência.

PROVA

  • Li o edital?

  • Sei qual será o formato?

  • Sei quantas respostas serão exigidas?

  • Sei o limite de linhas?

ESTRUTURA

  • Escolhi a estrutura com base na prova?

  • Ou estou repetindo automaticamente o modelo do ENEM?

  • Existe proposta de intervenção obrigatória?

  • O comando exige algum elemento específico?

CRITÉRIOS

  • Sei o que será corrigido?

  • Tenho os critérios anotados?

  • Evitei usar uma régua genérica?

CONTEÚDO

  • Respondi ao comando?

  • Respeitei o recorte?

  • Adaptei o tipo de argumentação?

  • Preciso demonstrar conhecimento técnico?

REPERTÓRIO

  • Minha referência tem função?

  • O conhecimento utilizado é pertinente à prova?

  • Evitei repertório “coringa” forçado?

LINGUAGEM

  • O texto está claro?

  • A linguagem combina com o gênero?

  • Existe coesão?

  • Existe coerência?

TREINO

  • Estou praticando no mesmo limite de linhas?

  • Estou usando provas anteriores?

  • Estou comparando com os critérios do concurso?

  • Estou corrigindo as habilidades que aquela prova realmente exige?

Se você respondeu:

“Não sei”

em algum dos primeiros itens, talvez ainda esteja cedo para decidir qual modelo utilizar.

Redação de concurso e ENEM não são a mesma prova.

Faça esse checklist antes de produzir o próximo texto.

Depois, durante a correção, compare aquilo que você escreveu com a prova que pretende enfrentar.

Se quiser utilizar banca ou edital como referência nesse processo, você pode analisar sua redação no Editaly e observar como estrutura, argumentação, linguagem e outros critérios aparecem dentro do contexto do concurso.

Treine com a régua da sua prova, não com uma régua genérica.

Perguntas frequentes sobre redação de concurso e ENEM

Redação de concurso é igual à redação do ENEM?

Não.

Algumas habilidades podem ser semelhantes, mas formato, critérios, conteúdo e estrutura podem variar conforme o concurso.


Toda redação de concurso é dissertativo-argumentativa?

Não.

Há concursos que cobram dissertação, mas também existem questões discursivas, estudos de caso, peças técnicas e outros formatos.

Confira o edital.


Toda redação de concurso precisa de proposta de intervenção?

Não.

A proposta de intervenção faz parte especificamente da matriz da redação do ENEM. Em concurso, só trate determinada estrutura como obrigatória quando ela fizer sentido diante do comando e das regras da prova.


Posso usar o modelo do ENEM em concurso?

Pode aproveitar partes dele quando forem compatíveis com o gênero e o comando.

O erro é utilizá-lo automaticamente sem verificar o edital.


Posso fazer introdução, D1, D2 e conclusão em concurso?

Pode ser uma boa estrutura para determinadas dissertações.

Não é uma regra universal para toda prova discursiva.


Concurso tem as mesmas competências do ENEM?

Não necessariamente.

O ENEM possui sua própria matriz de competências.

Concursos utilizam critérios definidos para aquela avaliação.


Preciso citar filósofo em redação de concurso?

Não.

O mais importante é construir um argumento adequado à prova.

Dependendo do concurso, conhecimento técnico ou específico pode ser muito mais relevante.


O repertório funciona da mesma maneira?

Não necessariamente.

O repertório deve se adaptar à prova, ao tema e ao argumento.

Pode incluir conhecimento histórico, jurídico, técnico, administrativo ou outras referências pertinentes.


O tema de concurso é sempre social?

Não.

Pode envolver atualidades, mas também conteúdos institucionais, técnicos ou relacionados diretamente às disciplinas do cargo.


Como saber qual estrutura usar?

Confira:

  1. gênero;

  2. comando;

  3. limite de linhas;

  4. critérios;

  5. provas anteriores.

A estrutura deve responder a essas informações.


Questão discursiva é a mesma coisa que redação?

Não necessariamente.

“Prova discursiva” é uma categoria ampla.

Uma questão discursiva pode pedir uma resposta objetiva e técnica, sem a mesma estrutura de uma dissertação tradicional.


Preciso de tese em toda questão discursiva?

Não.

Em uma dissertação argumentativa, a tese costuma ser importante.

Em uma pergunta técnica, talvez seja mais adequado responder diretamente aos itens solicitados.


Posso usar a mesma conclusão do ENEM?

Não automaticamente.

Observe se a prova pede medida, síntese, resposta técnica ou outro tipo de fechamento.


O que aproveitar do ENEM?

Principalmente habilidades como:

  • interpretação;

  • argumentação;

  • coesão;

  • coerência;

  • organização;

  • revisão.


O que preciso adaptar?

Especialmente:

  • estrutura;

  • formato;

  • critérios;

  • conclusão;

  • repertório;

  • linguagem;

  • limite de linhas;

  • tipo de conteúdo.


Como estudar redação para concurso depois de estudar para o ENEM?

Comece pelo edital.

Depois analise provas anteriores, identifique critérios, treine no formato real e adapte as habilidades que já possui.


Como saber o que a banca vai corrigir?

Procure no edital:

  • critérios de avaliação;

  • prova discursiva;

  • critérios de correção;

  • conteúdo;

  • pontuação.

Nosso guia específico sobre critérios da prova discursiva no edital ensina esse processo passo a passo.

É melhor estudar ENEM primeiro para depois estudar concurso?

Não existe essa necessidade.

Se seu objetivo é concurso, faz mais sentido treinar desde cedo habilidades gerais de escrita dentro do formato e dos critérios da prova que pretende realizar.


Posso enviar meu edital para analisar a redação?

No Editaly, você pode escolher uma banca disponível ou enviar o edital do concurso para usar esse contexto como referência durante a análise do treino.

Você não precisa abandonar o que aprendeu no ENEM — precisa adaptar

O problema não é ter estudado para o ENEM.

Muito pelo contrário.

Você pode chegar ao mundo dos concursos já sabendo:

organizar um texto;

argumentar;

utilizar conectivos;

revisar;

desenvolver ideias;

construir uma conclusão.

Isso é uma vantagem.

O erro é transformar uma prova específica em uma regra geral de escrita.

Quando você começa a estudar para concurso, precisa mudar uma pergunta.

Em vez de:

“Como aprendi a fazer redação?”

passe a perguntar:

“O que esta prova exige?”

Abra o edital.

Descubra o formato.

Identifique o limite de linhas.

Encontre os critérios.

Observe o conteúdo.

Leia provas anteriores.

Consulte padrões e espelhos quando estiverem disponíveis.

E então aproveite aquilo que já sabe.

Se a prova exige uma dissertação:

use sua capacidade argumentativa.

Se exige resposta técnica:

seja direto e preciso.

Se pede medida:

apresente-a.

Se não pede:

não force uma fórmula.

Se avalia conhecimento específico:

treine o conteúdo.

Se possui critérios próprios:

corrija utilizando esses critérios.

É assim que o estudo deixa de ser:

“treinar redação”

e passa a ser:

“treinar para a minha prova discursiva”.

Essa diferença parece pequena.

Mas muda praticamente tudo.

E depois de produzir o texto, não pergunte apenas:

“Parece uma boa redação?”

Pergunte:

“É uma boa resposta para esta prova?”

É essa comparação que realmente interessa.

Se você já possui uma redação e o edital do concurso, pode enviar o texto ao Editaly, escolher a banca ou adicionar o edital e analisar o treino utilizando uma referência mais próxima da seleção que pretende enfrentar.


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