Como fazer a conclusão da redação para concurso: estrutura + exemplos
Aprenda como fazer a conclusão da redação para concurso, retomar a tese sem repetir a introdução, sintetizar os argumentos e fechar o texto de acordo com as exigências da prova.

Você pode construir uma boa introdução, desenvolver argumentos relevantes e ainda perder força justamente nas últimas linhas da redação.
Isso acontece porque muitos candidatos chegam à conclusão sem saber exatamente o que precisam fazer nela.
Alguns simplesmente repetem a introdução.
Outros escrevem:
Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para resolver esse problema.
Há também quem tente colocar uma ideia completamente nova no último parágrafo.
E existe outro erro especialmente comum entre candidatos que também estudaram redação para o ENEM: acreditar que toda conclusão precisa obrigatoriamente apresentar uma proposta de intervenção completa.
Em concursos públicos, não existe uma fórmula universal que possa ser aplicada automaticamente a qualquer prova.
O edital, o comando, o gênero solicitado e os critérios de avaliação precisam ser considerados.
De maneira geral, em uma redação dissertativo-argumentativa, a conclusão deve fechar o raciocínio construído ao longo do texto, retomando a direção da tese e sintetizando aquilo que os argumentos permitiram demonstrar, sem simplesmente copiar a introdução ou iniciar uma nova discussão.
Neste guia, você aprenderá como construir esse fechamento, como retomar a tese sem parecer repetitivo, o que evitar no último parágrafo e como adaptar a conclusão à prova que realmente está fazendo.
Se ainda estiver estudando a estrutura completa do texto, consulte também nosso guia sobre redação dissertativa-argumentativa para concurso.
E existe um detalhe importante: uma conclusão pode parecer boa quando lida isoladamente e ainda assim não combinar com aquilo que foi realmente desenvolvido.
Por isso, durante o treinamento, vale analisar a redação como um conjunto. No Editaly, você pode enviar seu texto, escolher a banca ou adicionar o edital do concurso para receber uma análise considerando a estrutura e os critérios relacionados àquela prova.
Para que serve a conclusão de uma redação?
A conclusão serve para encerrar o raciocínio construído no texto.
Uma maneira simples de visualizar a estrutura é:
INTRODUÇÃO → apresenta a direção
DESENVOLVIMENTO → sustenta essa direção
CONCLUSÃO → fecha o raciocínio
Imagine a seguinte tese:
Embora a digitalização dos serviços públicos possa ampliar a eficiência do atendimento, a desigualdade de acesso à internet e a baixa familiaridade tecnológica ainda limitam seus benefícios para parte da população.
A introdução apresentou duas dimensões:
D1
→ desigualdade de acesso à internet.
D2
→ baixa familiaridade tecnológica.
Durante o desenvolvimento, você explica essas duas ideias.
Ao chegar à conclusão, não precisa inventar um terceiro problema.
Precisa olhar para aquilo que acabou de demonstrar e perguntar:
O que podemos concluir a partir desses dois argumentos?
Uma possibilidade seria:
Portanto, a efetividade dos serviços públicos digitais não depende apenas da ampliação de sua oferta, mas também da existência de condições que permitam aos diferentes grupos sociais acessá-los e utilizá-los com autonomia.
Perceba o movimento.
Não surgiu uma nova discussão.
A conclusão é resultado daquilo que já foi desenvolvido.

Conclusão de concurso não é automaticamente conclusão do ENEM
Esse é um ponto importante.
Se você já estudou redação para o ENEM, provavelmente conhece uma estrutura específica para a proposta de intervenção.
No ENEM, a proposta de intervenção faz parte dos critérios próprios de avaliação da redação. Ela precisa respeitar os direitos humanos e está diretamente relacionada à competência 5.
Isso não significa que essa mesma fórmula deva ser transferida automaticamente para toda redação de concurso público.
Em concursos, você pode encontrar:
redação dissertativo-argumentativa;
questão discursiva;
estudo de caso;
peça técnica;
parecer;
respostas estruturadas em tópicos;
outros formatos definidos pelo edital.
Além disso, o próprio comando pode determinar tarefas específicas.
Compare:
Comando A
Analise os principais desafios da digitalização dos serviços públicos.
Comando B
Analise os principais desafios da digitalização dos serviços públicos e proponha medidas para ampliar sua acessibilidade.
No segundo caso, existe uma solicitação explícita de proposta.
No primeiro, não.
Isso muda o que precisa ser entregue.
A regra mais segura é:
Não pergunte primeiro “qual fórmula de conclusão devo usar?”. Pergunte “o que esta prova exige de mim?”.
Por isso, antes de escrever, você precisa observar:
edital + comando + gênero + critérios de avaliação.
Nosso guia sobre como interpretar o comando da redação de concurso aprofunda justamente essa etapa.

Uma estrutura prática para construir a conclusão
Embora não exista uma fórmula obrigatória, podemos utilizar uma estrutura didática para organizar o raciocínio.
Pense em três movimentos:
RETOMADA → SÍNTESE → FECHAMENTO
Vamos entender cada um.
1. Retomada
Pergunte:
Qual foi a ideia central defendida no texto?
Não significa copiar a tese.
Significa recuperar sua direção.
2. Síntese
Pergunte:
O que os argumentos demonstraram?
Se D1 discutiu infraestrutura e D2 discutiu familiaridade tecnológica, essas duas dimensões precisam aparecer de alguma forma no fechamento.
3. Fechamento
Pergunte:
Qual conclusão resulta desse raciocínio?
Agora você encerra a discussão.
Vamos aplicar.
Tese
A desigualdade de acesso à internet e a baixa familiaridade tecnológica ainda limitam os benefícios dos serviços públicos digitais.
D1
Desigualdade de infraestrutura.
D2
Dificuldade de utilização.
Conclusão
Portanto, a efetividade da digitalização dos serviços públicos depende não apenas da expansão das plataformas, mas também da redução das barreiras materiais e de utilização que ainda impedem parte da população de acessar seus benefícios.
Temos:
Retomada
→ efetividade da digitalização.
Síntese
→ barreiras materiais + barreiras de utilização.
Fechamento
→ disponibilizar plataformas não é suficiente.
Essa estrutura não precisa aparecer mecanicamente em três frases.
Ela é apenas uma ferramenta para ajudar você a organizar o último parágrafo.

Retomar a tese não significa copiar a introdução
Esse é provavelmente um dos erros mais comuns.
Veja a tese:
A desigualdade de acesso à internet e a baixa familiaridade tecnológica limitam o alcance dos serviços públicos digitais.
Agora imagine esta conclusão:
Portanto, a desigualdade de acesso à internet e a baixa familiaridade tecnológica limitam o alcance dos serviços públicos digitais.
O que aconteceu?
Praticamente nada.
A conclusão apenas repetiu a tese.
Retomar é diferente de repetir
Compare:
Portanto, a efetividade dos serviços públicos digitais depende tanto da ampliação das condições de conectividade quanto da redução das barreiras de utilização.
Agora recuperamos as mesmas ideias:
acesso;
utilização;
efetividade da digitalização.
Mas o texto mostra o resultado do raciocínio.
Essa é a diferença.
Pense em ideias, não em frases
Na hora de concluir, não volte à introdução procurando palavras para substituir por sinônimos.
Faça algo mais simples.
Escreva mentalmente:
Minha tese:
digitalização não garante acesso para todos.
Meu D1:
barreira de infraestrutura.
Meu D2:
barreira de utilização.
Então, posso concluir que:
disponibilização digital precisa vir acompanhada de condições efetivas de acesso e utilização.
Agora você possui o raciocínio.
Depois transforma isso em uma frase adequada.

Uma segunda leitura também pode revelar um problema difícil de perceber sozinho: a conclusão pode retomar perfeitamente sua introdução, mas ignorar aquilo que você realmente desenvolveu no meio do texto.
No Editaly, a análise da redação pode ajudar você a observar a relação entre tese, desenvolvimento, argumentação e fechamento dentro do texto completo.
Como retomar D1 e D2 sem repetir os parágrafos inteiros
Você não precisa resumir cada desenvolvimento linha por linha.
A conclusão não é uma miniatura da redação.
O objetivo é identificar a essência de cada argumento.
Imagine:
D1
Você explicou que a ausência de conexão e equipamentos adequados impede parte da população de utilizar plataformas públicas.
Podemos resumir isso como:
barreira material
D2
Você explicou que mesmo pessoas conectadas podem encontrar dificuldades devido à baixa familiaridade com sistemas digitais.
Podemos resumir como:
barreira de utilização
Agora temos:
barreira material + barreira de utilização.
A conclusão pode sintetizar:
Assim, ampliar a oferta de serviços digitais sem enfrentar simultaneamente as barreiras materiais e de utilização pode manter parte da população distante dos benefícios prometidos pela digitalização.
Perceba quanto conteúdo foi condensado.
Faça o teste dos nomes
Depois de escrever D1 e D2, tente dar um nome de duas ou três palavras para cada um.
Por exemplo:
D1 → desigualdade de infraestrutura
D2 → dificuldade de utilização
Esses nomes ajudam muito na conclusão.
Se você não consegue resumir um desenvolvimento, talvez o próprio parágrafo esteja discutindo ideias demais.
A conclusão precisa apresentar proposta de intervenção?
Depende da prova.
Essa é uma das respostas mais importantes deste artigo.
Não trate como regra universal:
“Toda conclusão precisa apresentar agente + ação + meio + finalidade.”
Essa estrutura pode fazer sentido em um contexto de avaliação que exija uma proposta específica, mas não deve ser aplicada automaticamente a qualquer concurso.
No ENEM, por exemplo, a proposta de intervenção está explicitamente incorporada aos critérios de avaliação.
Em uma prova de concurso, você precisa verificar:
o edital;
o comando;
o gênero solicitado;
os critérios de correção;
eventuais orientações da banca.
Se o comando pedir proposta
Imagine:
Analise os desafios da inclusão digital no serviço público e apresente medidas para ampliar o acesso da população.
Você precisa responder também às medidas.
Ignorar essa parte significa deixar uma tarefa do comando sem resposta.
Se o comando pedir análise
Agora:
Analise os impactos da exclusão digital no acesso aos serviços públicos.
O foco está na análise.
Não existe motivo para automaticamente transformar a conclusão em:
O governo, por meio do Ministério X, deverá...
apenas porque você decorou uma estrutura utilizada em outro tipo de prova.
E se eu quiser apresentar uma solução mesmo sem ser solicitado?
Pode haver situações em que uma consequência, encaminhamento ou consideração final seja pertinente.
O problema é utilizar isso mecanicamente.
Antes, pergunte:
Essa solução contribui para responder ao comando ou estou apenas aplicando uma fórmula?
Essa pergunta vale mais do que decorar um modelo universal.
E é justamente aqui que entender as exigências específicas da prova se torna importante.

Como começar uma conclusão de redação
Outra dúvida comum é:
Qual palavra usar para começar a conclusão?
Existem várias possibilidades.
Portanto
Portanto, a efetividade dos serviços públicos digitais depende...
Assim
Assim, a ampliação da digitalização precisa considerar...
Dessa forma
Dessa forma, os argumentos apresentados demonstram...
Em síntese
Em síntese, as barreiras de acesso e utilização...
Diante disso
Diante disso, a expansão dos serviços digitais...
Todas podem funcionar.
Mas nenhuma delas garante uma boa conclusão.
Compare:
Portanto, esse problema é muito grave e precisa ser resolvido.
com:
Portanto, a efetividade da digitalização depende da redução simultânea das barreiras de infraestrutura e de utilização.
As duas começam com “portanto”.
Só uma realmente sintetiza o raciocínio.
O conectivo deve representar uma relação
Se você usa “portanto”, precisa haver algo que possa ser concluído a partir do que veio antes.
Se utiliza “em síntese”, espera-se uma síntese.
O conectivo é uma ferramenta de coesão.
Não é uma decoração.
Conectivos para usar na conclusão
Algumas possibilidades:
Função | Exemplos |
|---|---|
Conclusão | portanto, assim, desse modo, dessa forma |
Síntese | em síntese, em suma |
Consequência | por isso, consequentemente |
Encaminhamento | diante disso, nesse sentido |
Não tente usar vários apenas para demonstrar vocabulário.
“Portanto, dessa forma, diante disso...”
não melhora o texto.
Escolha aquilo que representa a relação necessária.
Posso começar com “conclui-se que”?
Pode.
Mas novamente:
a expressão não faz o trabalho por você.
Depois dela ainda precisa existir uma conclusão real.
5 exemplos de conclusão de redação comentados
Agora vamos aplicar a lógica a diferentes temas.
Exemplo 1 — inclusão digital
Tese
A expansão dos serviços digitais pode ampliar a eficiência, mas desigualdades de infraestrutura e dificuldades de utilização limitam seu alcance.
D1
Infraestrutura.
D2
Familiaridade tecnológica.
Conclusão
Portanto, a ampliação dos serviços públicos digitais só alcança plenamente seu potencial quando a disponibilidade tecnológica é acompanhada por condições efetivas de acesso e utilização. Assim, reduzir barreiras de infraestrutura e de familiaridade digital é fundamental para evitar que a modernização administrativa produza novas formas de exclusão.
Por que funciona?
Porque recupera os dois eixos e mostra a consequência lógica da discussão.
Exemplo 2 — evasão escolar
Tese
Fatores socioeconômicos e dificuldades de permanência contribuem para o abandono escolar.
D1
Necessidade de conciliar trabalho e estudo.
D2
Condições insuficientes de permanência.
Conclusão
Em síntese, compreender a evasão escolar exige olhar além da decisão individual do estudante, pois fatores econômicos e condições de permanência influenciam diretamente sua continuidade nos estudos. Enfrentar o problema, portanto, depende de reconhecer essas diferentes dimensões.
Por que funciona?
A conclusão não trata a evasão como uma escolha isolada.
Ela sintetiza exatamente aquilo que os argumentos demonstraram.
Exemplo 3 — administração pública
Tese
A transformação digital pode aumentar a eficiência administrativa, desde que seja acompanhada de planejamento e capacitação.
D1
Planejamento.
D2
Capacitação.
Conclusão
Dessa forma, a incorporação de novas tecnologias à administração pública não deve ser compreendida como simples substituição de ferramentas. Seus resultados dependem tanto do planejamento dos processos quanto da preparação dos profissionais responsáveis por utilizá-los.
Por que funciona?
A conclusão produz uma ideia mais ampla a partir de D1 e D2.
Exemplo 4 — meio ambiente
Tese
A gestão inadequada de resíduos produz impactos ambientais e urbanos.
D1
Contaminação ambiental.
D2
Problemas urbanos.
Conclusão
Portanto, a gestão de resíduos precisa ser compreendida como uma questão simultaneamente ambiental e urbana, uma vez que seus efeitos ultrapassam a destinação do lixo e atingem diferentes dimensões da qualidade de vida coletiva.
Por que funciona?
Os dois argumentos são reunidos em uma síntese.
Exemplo 5 — segurança pública
Tese
O enfrentamento da criminalidade depende de ações repressivas e preventivas.
D1
Atuação repressiva.
D2
Prevenção.
Conclusão
Assim, políticas de segurança pública tendem a exigir uma abordagem que combine resposta aos delitos já praticados com estratégias capazes de reduzir fatores associados à ocorrência de novos crimes. A articulação entre repressão e prevenção permite tratar o problema em diferentes etapas.
Por que funciona?
Não simplesmente diz:
“A segurança é importante.”
Retoma a relação central construída no texto.
Conclusão ruim x conclusão melhor
Vamos comparar alguns casos.
Caso 1
Ruim:
Portanto, a educação é muito importante e precisa receber mais atenção.
Melhor:
Portanto, reduzir a evasão escolar exige reconhecer que a permanência do estudante depende tanto de suas condições socioeconômicas quanto do suporte oferecido ao longo da trajetória educacional.
O que mudou?
A segunda conclusão recupera os argumentos.
Caso 2
Ruim:
Diante disso, o governo deve investir mais para resolver todos esses problemas.
Melhor:
Diante disso, a ampliação dos serviços digitais precisa ser acompanhada por medidas capazes de reduzir tanto as limitações de infraestrutura quanto as dificuldades de utilização enfrentadas por parte da população.
O que mudou?
Saiu uma solução genérica.
Entrou um fechamento conectado à discussão.
Caso 3
Ruim:
Em suma, como foi visto ao longo deste texto, esse assunto é extremamente relevante para a sociedade.
Melhor:
Em suma, a modernização administrativa produz benefícios mais amplos quando eficiência tecnológica e acessibilidade avançam conjuntamente.
O que mudou?
A segunda frase realmente conclui algo.
O que não colocar na conclusão
Alguns elementos merecem atenção.
1. Um argumento completamente novo
Imagine que você discutiu:
D1 → infraestrutura
D2 → familiaridade tecnológica
e conclui:
Além disso, a falta de segurança cibernética também representa um grande problema.
Você abriu uma terceira discussão.
Mas o texto acabou.
Não haverá espaço para desenvolvê-la.
2. Uma estatística nova apenas para impressionar
Se o dado é importante para seu argumento, provavelmente deveria ter aparecido no desenvolvimento.
Introduzi-lo no último momento pode criar uma informação sem análise.
3. Uma citação nova sem função
O mesmo vale para autores.
Não coloque uma frase famosa apenas porque “conclusão precisa terminar bonito”.
4. Uma frase de efeito desconectada
Somente assim construiremos um futuro melhor para todos.
Pode parecer um encerramento.
Mas muitas vezes não diz nada sobre o raciocínio construído.
5. Uma solução genérica automática
O governo deve investir.
Investir em quê?
Por quê?
Como isso se relaciona com seus argumentos?
6. Uma nova pergunta
Evite terminar abrindo outra discussão que não será respondida.
A conclusão precisa transmitir sensação de fechamento.
Quantas linhas deve ter a conclusão?
Não existe um número universal válido para toda redação de concurso.
A resposta depende de:
quantidade total de linhas;
gênero solicitado;
complexidade do comando;
quantidade de argumentos;
critérios da prova;
proporção do restante do texto.
Por isso, tenha cuidado com regras como:
“Toda conclusão deve ter exatamente cinco linhas.”
Uma redação de 20 linhas e outra de 40 não precisam ter a mesma distribuição.
Pense em função, não em número
A conclusão precisa ter espaço suficiente para:
recuperar a direção do texto;
sintetizar os argumentos;
realizar o fechamento necessário.
Sem roubar espaço do desenvolvimento.
Planejamento evita conclusão espremida
Se a prova possui limite de linhas, não espere chegar ao final para descobrir quanto espaço restou.
Planeje antes.
Uma redação com introdução enorme e desenvolvimentos excessivamente longos pode deixar apenas duas linhas para o fechamento.
Esse problema começa muito antes da conclusão.
Como concluir quando faltam poucas linhas
Imagine que você percebe que possui pouco espaço.
Não entre em pânico tentando encaixar uma fórmula inteira.
Priorize:
1. Tese
Qual é a ideia central?
2. Argumentos
Quais foram os dois pontos realmente desenvolvidos?
3. Resultado
O que podemos concluir?
Exemplo:
Portanto, a efetividade dos serviços digitais depende da redução conjunta das barreiras de acesso e utilização, para que sua expansão represente também ampliação efetiva do atendimento.
Uma frase pode realizar bastante trabalho.
O que cortar primeiro?
Evite gastar as últimas linhas com:
contextualização nova;
citação;
exemplo;
frase de efeito;
repetição longa dos desenvolvimentos.
Vá direto ao fechamento.
Como fazer a conclusão quando você trava
Existe um exercício simples.
Volte à tese.
Imagine:
A desigualdade de acesso e a baixa familiaridade tecnológica limitam os serviços públicos digitais.
Agora escreva:
D1 em três palavras:
barreira de infraestrutura.
D2 em três palavras:
barreira de utilização.
Depois complete mentalmente:
Diante do que foi discutido, posso concluir que...
Resposta:
disponibilizar serviços digitalmente não garante que todos consigam utilizá-los.
Pronto.
Você encontrou a essência da conclusão.
Agora transforme em uma formulação adequada:
Dessa forma, a expansão dos serviços públicos digitais precisa ser acompanhada pela redução das barreiras de infraestrutura e utilização, pois a simples disponibilização das plataformas não garante acesso efetivo a toda a população.
Não precisa usar a frase de apoio
“Diante do que foi discutido, posso concluir que...” é apenas uma ferramenta mental.
Ela ajuda a descobrir o que você realmente concluiu.
Como saber se sua conclusão está coerente com o restante da redação
Faça um teste interessante.
Leia:
Primeiro
Sua introdução.
Depois
Sua conclusão.
Pergunte:
Elas tratam da mesma direção?
Agora leia:
D1 e D2.
Pergunte:
A conclusão representa aquilo que realmente foi demonstrado?
Esse segundo teste é fundamental.
Porque existe um erro mais sutil:
Introdução
promete A + B.
Desenvolvimento
faz A + C.
Conclusão
retoma A + B.
A introdução e a conclusão parecem perfeitamente conectadas.
Mas o texto como um todo não está.
Por isso, não revise a conclusão isoladamente.
Ela precisa fechar a redação que você realmente escreveu, não apenas aquela que planejava escrever.
Esse é justamente um dos motivos para revisar tese, desenvolvimento e conclusão como partes do mesmo raciocínio.
Checklist da conclusão da redação
Antes de entregar, faça esta revisão.
Relação com a tese
Retomei a direção central do texto?
Evitei simplesmente copiar a introdução?
Relação com o desenvolvimento
Minha conclusão representa aquilo que realmente desenvolvi?
D1 e D2 aparecem sintetizados de alguma forma?
Evitei trazer um terceiro argumento?
Fechamento
Existe uma conclusão lógica?
O último parágrafo realmente encerra a discussão?
Evitei frases genéricas?
Comando
Respondi às tarefas solicitadas?
Se o comando pediu proposta, ela foi contemplada?
Se não pediu, evitei aplicar automaticamente uma fórmula de outra prova?
Coesão
O conectivo utilizado representa corretamente a relação?
As frases estão conectadas?
Proporção
A conclusão possui espaço suficiente?
Evitei repetir longamente os desenvolvimentos?
Conteúdo
Não introduzi dado importante apenas no final?
Não coloquei repertório novo sem desenvolvimento?
Não abri uma discussão que ficou sem resposta?
Se você respondeu satisfatoriamente a essas perguntas, sua conclusão provavelmente está cumprindo sua principal função:
fechar o raciocínio construído no texto.

Primeiro faça essa revisão por conta própria.
Depois, durante o treinamento, uma segunda análise pode ajudar a identificar relações que são difíceis de perceber quando você já conhece aquilo que pretendia escrever.
Você pode enviar sua redação ao Editaly, escolher a banca ou adicionar o edital do concurso e analisar a relação entre tese, desenvolvimento, argumentação, conclusão e demais critérios considerados na prova.

Perguntas frequentes sobre conclusão de redação para concurso
Como começar a conclusão de uma redação?
Você pode utilizar conectivos como “portanto”, “assim”, “dessa forma”, “em síntese” ou “diante disso”, desde que representem corretamente a relação com aquilo que foi desenvolvido.
Mais importante do que a primeira palavra é saber o que você está concluindo.
O que escrever na conclusão?
Em uma redação dissertativo-argumentativa, uma estrutura prática é:
retomada da ideia central → síntese dos argumentos → fechamento.
A estrutura específica, porém, precisa respeitar o comando e os critérios da prova.
Quantas linhas deve ter a conclusão?
Não existe número universal.
O tamanho depende do limite da redação, da estrutura adotada, do gênero e das exigências da prova.
Posso começar a conclusão com “portanto”?
Sim.
“Portanto” é um conectivo conclusivo perfeitamente possível.
O importante é que aquilo que vem depois seja realmente consequência ou conclusão do raciocínio anterior.
Posso começar com “em suma”?
Sim.
“Em suma” pode funcionar quando a intenção é sintetizar o que foi discutido.
Evite apenas utilizar expressões automaticamente.
Preciso apresentar uma solução na conclusão?
Não necessariamente.
Isso depende do comando, do gênero e dos critérios da prova.
Se a questão solicitar medidas, propostas ou soluções, você precisa responder a essa tarefa.
Toda redação de concurso precisa de proposta de intervenção?
Não.
A proposta de intervenção é uma exigência específica de determinados modelos de avaliação, como o ENEM. Em concursos, verifique o edital, o comando e os critérios aplicáveis àquela prova.
Posso colocar um argumento novo na conclusão?
Em uma redação dissertativo-argumentativa convencional, isso tende a prejudicar o fechamento porque o novo argumento não terá espaço para ser desenvolvido.
A conclusão deve trabalhar principalmente com aquilo que já foi construído.
Preciso repetir a tese?
Você deve recuperar a direção da tese, mas não precisa copiar sua formulação.
Retome a ideia, não a frase.
Como concluir sem repetir a introdução?
Resuma mentalmente D1 e D2 e pergunte:
O que esses argumentos demonstraram juntos?
Use a resposta para formular a conclusão.
Como terminar uma redação quando tenho poucas linhas?
Priorize:
tese → síntese dos argumentos → fechamento.
Evite adicionar repertório, contextualização ou exemplos novos.
Conclusão precisa ter citação?
Não.
Uma citação só deve aparecer quando tiver função real no raciocínio.
Não é necessário terminar a redação com frase de autor.
Posso terminar com uma pergunta?
Em geral, isso pode enfraquecer a sensação de fechamento, principalmente se a pergunta abrir uma discussão que não será respondida.
Prefira encerrar o raciocínio.
A conclusão precisa nascer do texto que você escreveu
Uma boa conclusão não precisa ser espetacular.
Ela precisa ser coerente.
Esse é o ponto principal.
Você não precisa terminar com uma frase de efeito.
Não precisa citar um filósofo.
Não precisa inventar uma solução grandiosa.
E não deve aplicar automaticamente uma fórmula aprendida para outra prova.
Antes de concluir, volte ao texto.
Pergunte:
Qual foi minha tese?
Depois:
O que D1 demonstrou?
O que D2 demonstrou?
E finalmente:
O que podemos concluir a partir disso?
A resposta é o material do seu último parágrafo.
Se sua tese apresentou dois obstáculos e seus desenvolvimentos demonstraram como esses obstáculos funcionam, sua conclusão deve refletir esse caminho.
Se o comando pediu uma proposta, contemple-a.
Se pediu análise, assegure-se de concluir a análise.
Se estabeleceu tarefas específicas, verifique se todas foram respondidas.
Por isso, em concurso público, a conclusão não deve ser tratada como uma peça isolada.
Ela depende:
do comando que você recebeu;
da tese que construiu;
dos argumentos que realmente desenvolveu;
e dos critérios utilizados naquela prova.
Quando você começa a enxergar a redação dessa maneira, a conclusão deixa de ser aquele último parágrafo improvisado quando faltam cinco minutos.
Ela passa a ser apenas o fechamento lógico de algo que já vinha sendo construído desde a introdução.
E depois da correção, não olhe apenas para a nota.
Pergunte:
Minha conclusão correspondeu à tese?
Ela representou meus argumentos?
Introduzi alguma ideia nova?
Respondi ao comando?
Apliquei alguma fórmula que aquela prova nem exigia?
Essas respostas mostram exatamente o que melhorar no próximo treino.
Se você já possui uma redação pronta, pode enviá-la ao Editaly, escolher a banca ou adicionar o edital do concurso e receber uma análise com nota estimada, critérios avaliados, erros identificados e prioridades para continuar evoluindo.



